Mon 16th

O respeito pelo mistério

Published by: Pr Julio Soder on Monday 16th February 2009 08:02am

Ponderando sobre as regras de Deus para as questões humanas, devemos evitar dois erros comuns.
Embora a bondade de Deus (assim como a sua severidade) possa, às vezes, ser claramente discernida na história, outras vezes as causas dos eventos podem estar escondidas. Isto leva alguns a imaginar que os assuntos humanos rodopiem na confusa cegueira da sorte, enquanto outros falam como se Deus estivesse se divertindo, sacudindo a Humanidade para cima e para baixo como uma bola. Os cristãos, por sua vez, crêem que as deliberações de Deus estão de acordo com um motivo maior. Em todos os eventos Seu propósito é também testar a paciência do Seu povo, corrigir a sua imoralidade, domar a sua devassidão, reforçar a sua auto-negação, movê-lo da letargia – ou perturbar o orgulho e combater os planos do inimigo da nossa fé. Não importa o quanto Suas razões específicas possam escapar à nossa percepção, podemos estar certos de que as razões estão nEle. Então podemos exclamar como Davi: “Senhor meu Deus! Quantas maravilhas tens feito! Não se pode relatar os planos que preparaste para nós! Eu queria proclamá-los e anunciá-los, mas são por demais numerosos!” (Salmos 40:05). Dito isto, devemos também notar como Cristo declara que há algo mais nos desígnios de Seu Pai do que meramente o desejo de nos castigar. Pois ele diz sobre o homem cego de nascença: “Disse Jesus: ‘Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele’” (João 9:3). Cristo declara que , se tivéssemos uma visão clara, poderíamos ver, mesmo neste caso, que a glória de seu Pai é brilhantemente mostrada. Logo, não podemos compelir Deus a prestar contas de seus caminhos mas, em humildade, respeitar seus juízos secretos. Por outro lado, quando surge este assunto, muitos expõem tolices monstruosas. Eles sujeitam as obras de Deus ao seu próprio raciocínio, presumindo conhecer Seus juízos secretos e fazem um julgamento prematuro de coisas que são extremamente misteriosas. O que pode ser mais irracional do que insultar os juízos secretos de Deus? Não é de se estranhar que tantos hoje em dia firam a doutrina da orientação divina com o veneno de seus dentes, ou a ataquem com suas injúrias. Nós, cristãos, somos justamente criticados por não estarmos cumprindo os mandamentos de Deus, nos quais a vontade dEle é compreendida de forma mais clara, e não simplesmente sustentando que o mundo seja governado por um Deus sábio. Certamente, até mesmo na Lei e no Evangelho, encontramos mistérios que transcendem a nossa capacidade de compreensão mas, quando Deus ilumina nossas mentes com um espírito de sabedoria, eles não são mais um abismo, mas um caminho no qual podemos andar com segurança – uma lâmpada para guiar nossos pés, uma escola da verdade clara e certa. Mas a admirável maneira que Deus usa para governar o mundo é justamente chamada de abismo porque, enquanto estiver escondida de nós, é para ser reverentemente adorada. Para citar Agostinho: “Assim como não conhecemos da melhor maneira todas as coisas que Deus faz a nosso respeito, devemos, com boa intenção, agir de acordo com a Lei”. Desde que Deus dá a Si mesmo o direito de governar o mundo, seja a nossa lei a humildade e submissão para aceitarmos Sua suprema autoridade. Esta é a única regra de justiça e a mais perfeita causa de todas as coisas – a ilimitada providência dominante, da qual nada flui que não seja correto, embora as razões possam ser ocultas. John Calvin é o autor de “The Institutes of the Christian Religion” (Os Princípios da Religião Cristã).
Wed 11th

Pele

Published by: Adda Braga on Wednesday 11th February 2009 03:02am

 
Eu queria abraçar ela
beijar ela
em meio a fumaça que se ergue densa,
entre um sorvo e outro meu
Confesso sentado no chão
sem vergonha com verdade.

Despido de tudo,
do ego,
Digo com a boca que amarga
as palavras
E o olho roxo
que um dia
foram beijados por sua beleza

Despido,
o corpo lateja,
As palavras passeiam na pele
entre curvas que levam ao nome seu.
Queria abraçar ela
Queria beijar ela
Hoje não sou eu

Enlouqueço
Viro de ponta-cabeça
Antes que me achem
Hoje não sou mais ninguém
Sou mais eu.

Wed 11th

O Banho

Published by: Adda Braga on Wednesday 11th February 2009 02:02am
Ainda saboreava
O gosto acre rascante
Grudado à glote e às gengivas

Quando, após perder o chão sob os pés,
pisou os ladrilhos gélidos
Do banheiro

A imagem perpassou o espelho
Em cima da pia, o maço de cigarros,
O celular - em meio aos vidros de perfume -
E a lâmina de barbear;
Tudo empesteado com o cheiro do pai.
Coisas que tornariam-se reminiscências.

Dentro do box, avidamente, deslizou as portas de blindex,
Criando para si, uma clausura,
Um esconderijo, uma pequena fortaleza
De paredes vítreas e cristalinas.

Demorou-se para girar a torneira.
E levantou a cabeça, lançando o olhar
pro chuveiro
Não queria saber de surpresas.

Viu a gota primeira ameaçar
Destacando-se do montante de gotículas
Que disputavam entre si.
Certeira, cravou-lhe o olho.

Sob o chuveiro
Pensamentos indesejáveis invadiam
A mente incansável, autoflageladora.
Evocou os números
E pôs-se a contar
Não, porque doía-lhe a censura
(Onde estavam seus sentimentos?)
Mas, para espantar as imagens que se ofereciam -
O ato antes do banho -
Cuja alma exaurira

Imagens incômodas,
Emaranhadas
Tortuosas, não.
Nada sentia (onde estavam seus sentimentos?)
Desejava uma mente limpa
Como a água
Que saía do chuveiro
E descia pro ralo
Levando embora a sujeira.

Quanto tempo mais, permaneceria ali,
Indiferente
À vulnerabilidade da nuca, entregue ao jorro d'água?
Os sentimentos anestesiados opunham-se ao frenesi sensorial
Todos os poros dilatados
Os pêlos se arrepiavam
No roçar do sabonete.

Nada fazia sentido
O tempo corria numa velocidade diferente
Não se reconhecia
Prisioneira dum corpo de formas perfeitas
A água que o ralo sorvia
Era rósea, quase vermelha.

Veio a vertigem
E junto a memória
Concedera a boca
Para um último capricho
Engolindo o que as deusas
Do Olimpo
apelidaram de néctar dos deuses

Fora mais fácil
Que pensara
Enquanto o bebia
Durante o gozo cegante
Levantou o travesseiro que escondia
A paciente adaga

Dos dois objetos fálicos apoderara-se, então:
O quente, ainda pulsante, na boca
E o frígido, que encorajava direto na tráqueia,
Ágil, seco e degolante,
Golpe da mão.

Pôde gozar em vermelho-vivo viscoso
A espera dos anos
Consumara-se o momento da vingança
Pelos abusos a fio.
Era a primeira vez
Que gozava.

No banho
Não se reconhecia
Os pés cambaleantes sobre a água rósea,
Escorrida do corpo dela,
Não eram seus
Nem as imagens turvas
Que tentavam sobrepor-se aos números
Evocados por ela
Nem o tempo pertencia
À epoca nenhuma
Perdera a contagem

Inspirava fundo
Pois o ar lhe escapava
E a vertigem
Até os tímpanos invadia
Abafando-os completamente.
Um único pensamento
Brotou claro, coerente
E a fez sentir bem.
O mesmo que a perseguira na infância
Quando sufocava por entre as lágrimas
Espremidas
Pelo peso da barriga do pai:
"Sou uma menina muito má, má, má..."

(...)

Nada de mea culpa
Sentiu-se bem.
Mon 9th

Adrenalina

Published by: Adda Braga on Monday 9th February 2009 12:02pm
Gosto de lhe sentir por inteiro
quando já me invadiu por completo
sem antes se anunciar
talvez seu poder consista exatamente nisso
num chegar despercebido e não premeditado.
O prazer de ser sua morada, quando você está no auge
é que me faz querer dançar
e então eu danço, danço que me desfaço
e meus pedaços, todos já desfacelados, em mil outros eus,
são eles, agora, que estão no apogeu
em busca de outras moradas...
Relutar não adianta.
Sat 7th

Personalidades - Lawrence Olivier (2)

Published by: Margareth Duval on Saturday 7th February 2009 02:02am

4.jpg
Fria manhã em Nova York. Laurence está parado na esquina da rua 47 com a Sexta Avenida. Na manga direita de seu agasalho xadrez oculta, cuidadosamente, uma lâmina de aço.  Olha dentro dos olhos de um homem alto e, num rápido movimento, corta-lhe a garganta. O homem arqueja, cambaleia até uma árvore e cai.

Próximo, um esguicho vermelho sai de um fino tubo e cai sobre o corpo da vítima. Ao lado, dois homens esperam, com baldes de água, para lavarem a calçada ensangüentada. Alto, através de um megafone, uma voz estridente pede à massa que circule. Ninguém se mexe.

Larry, como excentricamente, prefere ser chamado, esquecera-se da multidão à sua volta. E, como não bastasse, centenas de pessoas desembarcavam do metrô, próximo ao local, e dificultavam ainda mais as coisas.

Dois guardas, e somente dois, pois foi o que sobrara ao prefeito Beame, que havia colocado todo o resto do pessoal na rua. Isto facilitava um pouco as coisas.

Larry é um criminoso de guerra nazista. Está nos Estados Unidos para desenterrar um punhado de diamantes. Já torturara o estudante Dustin; seguira a refugiada Marth Keller; perseguira o agente da Cia Roy Schelder; liquidara um judeu que o havia reconhecido... É apavorante, um mau caráter de ponta-à-ponta.
 

O filme é Marathon Man*, dirigido por John Schlesinger, roteiro e autoria de William Gold. Sir Laurence é Laurence Olivier, um dos maiores atores ingleses. Dustin, é Dustin Hoffman, na época um jovem. As locações foram o Mercado de Peixes de Fulton, a Ponte do Brooklyn, o Zôo do Central Park, o Centro de Diamantes e a Universidade de Colúmbia.

Aos 66 anos, saía de um câncer de próstata e tinha problemas no lado direito, mão e perna. A maquiagem, o alto da cabeça raspada e o branqueamento do restante do cabelo, acentuavam-lhe o semblante enfraquecido.  “Trocaram o meu rico grisalho por esse branco prematuro”, disse.

Falando sobre seu papel, explicou porque aceitou o convite: “para testar até onde posso trabalhar”. E  explicou: “O papel não é homérico. Eu não poderia subir uma escada aos saltos, e disse a eles que se tinham de me filmar levantando-me da cadeira, eu levaria um longo tempo nisso, de modo que teriam de fazer duas tomadas e cortar o meio da ação. No entanto, posso caminhar normalmente.”

Na época, o ator lia “Bring on the Emppty Horses”, de Davi Niven, seu amigo. Entre a filmagem de uma cena e outra, o ator freqüentava um pequeno café na Rua 47. À noite, desfrutava a vida noturna nova-iorquina, assistia ao “Chorus Line” e jantava em grandes restaurantes. Hospedado em uma suíte no “Drake Hotel”, apreciava a grande sacada, que dava para a Rua 56 e a plantas, segundo ele, adoráveis. “Disse que pensou em mandar imprimir cartões dizendo: ‘Em casa para o chá e o tênis’”.

Em 1976, apesar de sua frágil saúde, trabalhava, em tempo integral, interpretando, ensaiando e dirigindo para o “National Theater de Londres”. E, segundo ele próprio: “Ocasionalmente, tiro alguns dias para fazer um papel em algum filme. Todos nós precisamos de um dinheirinho extra”.

O grande cavalheiro inglês, o grande ator, não era soberbo, mas extremamente ciente do que representava para seu povo. Nos Estados Unidos, fez comerciais para a TV a convite da Polaroid. E disse, à época: “Nunca me preocupei em fazer anúncios nos Estados Unidos. Na Inglaterra, ficariam chocados. Criaram uma imagem ridícula de mim. Tive de dizer à Polaroid: ‘Sinto muito, mas não podem mostrar esse anúncio na minha terra”.

Foi convidado, pela mesma Polaroid, a fazer comerciais em três línguas. E explicando porque aceitara o convite: “Eu não sou um poliglota, mas quando levei a companhia de teatro com ‘Titus Andronicus’ para trás da ‘Cortina de Ferro’, em Varsóvia e Zagreb, aprendi um bocado de discursinhos de bolso para dizer ao público em cada língua. Eu pensava que podia falar francês, alemão e italiano,mas, depois que fiz os comerciais, me chamaram de volta. Não para alterarem o diálogo, mas a mim. Disseram que eu falava italiano como sotaque russo. Eu perguntei se isso tinha importância e eles disseram que não. Apenas na Itália, falar com sotaque russo é motivo de gozação, e por isso não poderiam vender câmaras com todo mundo rindo de mim. Obrigaram-me a refazer o filme em alemão porque eu o falava com sotaque russo e isso era motivo de gozação na Alemanha. Aí eu disse: meu francês está bom, pois, afinal, eu tenho um nome francês. Disseram que não, que eu também o falava com sotaque russo. ‘E suponho que isso seja motivo de gozação também.’ Eles responderam: ‘Não, não é nada engraçado’.”

Mas quem foi Sir Lawrence Olivier? O cavalheiro inglês foi o mais destacado ator de sua época, participou de 121 peças teatrais e fez 165 filmes, dos quais 18 foram realizados após “Marathon Man”. Suas criações, de “Heathcliff”, em “O Morro dos Ventos Uivantes”; e Henrique V, tornaram-no admirado em todo o mundo. Mas foi no teatro, onde interpretou todo tipo de papel, que sua realização foi completa. Um intérprete dos personagens Shakespearianos ainda não superado. Inclusive, iniciou sua carreira, aos 10 anos, com o personagem Júlio César, de Shakespeare, além de representar, produzir e dirigir as obras "Henrique V" (1945), "Hamlet" (1948)), "Ricardo III" (1956) e "Otelo" (1965). Além disso, Lawrence também escreveu dois livros: “Confissões de um ator” e “Ser ator”, onde descreve sua biografia como ator, da infância ao estrelato.

Foi um homem e um ator premiado. Agraciado cavalheiro, em 1947, recebeu seu primeiro Oscar em 1946, por sua atuação e direção em "Henrique V". Em 1948, sua produção de "Hamlet" levou quatro Oscars: filme, ator principal, para o próprio Olivier, direção de arte e figurino. Em 1970, a rainha Elizabeth II lhe outorgou o título de Lorde, com direito a frequentar o Parlamento Britânico. Em 1978, recebeu um Oscar especial pelo conjunto de sua obra e sua contribuição à arte cinematográfica.

A mulher com a qual compôs o melhor par foi Vivien Leigh. Conheceu-a em 1937, em uma montagem de "Hamlet" e com ela se casou, em 1940, e com ela ficaria casado até a década de 60.

Larry morreu dormindo. Ao lado de sua terceira mulher, a atriz Joan Plowright, com quem teve três filhos, o maior ator Shakespeariano que o mundo conheceu, morreu aos 82 anos, de câncer no estômago. Laurence também escreveu dois livros:Confissões de um ator e Ser Atoronde descreve sua biografia como ator,desde a infância até o extremo sucesso que alcançou.

 

Informações:

REVISTA FATOSeFOTOS GENTE. Laurence Olivier, depois de quase ter morrido de câncer, volta a filmar na pele de um criminoso de guerra nazista. Brasília, a.XV, n.750, 5/1/1976, 21-22p.

WIKIPÉDIA

Nota:

Marathon Man (Maratona da Morte). O filme conta a história do último médico da SS responsável pelo campo de concentração de Auschwitz, Christian Szell, que vive refugiado no Paraguai e que tenta contrabandear uma importante quantidade diamantes para fora dos EUA, com o apoio de uma organização ultra-secreta chamada "The Division". Seu caminho entrecruza-se com o de Thomas "Babe" Levy, estudante universitário de História, praticante de maratona, atormentado pelo suicídio do pai, devido a perseguições do Marcartismo. Ao tomar conhecimento de que os diamantes estão em poder de Levy, Szell persegue o jovem para os recuperar, o que leva Levy à beira da loucura.

Com o filme, Lawrence foi indicado ao Oscar/77, na categoria de melhor ator coadjuvante e venceu na categoria de melhor ator coadjuvante no Globo de Ouro/77.

Vejam as fotos (cliquem no link Photos nas abas) 

Fri 6th

Blog do Catarino

Published by: Catarino Alves on Friday 6th February 2009 12:02pm
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No Blog do Catarino você encontra artigos com análise de notícias e crônicas de acontecimentos diários.
Visite: www.blogdocatarino.com 
Thu 5th

Falar de Amor

Published by: mirna cardoso on Thursday 5th February 2009 12:02pm
Tanto se fala de amor, mas como se pode falar de amor sem sentir que, por mais que as palavras o descrevam, o gestos o demonstrem, os olhos os reflitam... ainda assim não se consegue explicá-lo totalmente. Há sempre um faltar que se faz presente, um complemento que não se consegue explicar, uma palavra que não se consegue encontrar...um não sei o quê de intensidade tal que não se ousa alcançar! Falar de amor é falar de Deus, pois é de amar a Deus que a gente se torna capaz de amar o humano...é amando a Deus que a gente se torna capaz de amar imensamente, despojadamente, sinceramente, livremente! E, quiçá, se possa tocar o amor incondicional, aquele que sabe amar além do amor...que nos torna livres e nos aproxima da vibração de Deus! Amor exala pureza que remonta ao recôndito de nosso ser... Amor constrói pontes invisíveis criadas na alma... Amor refaz paisagens distorcidas... Amor levita montanhas, transforma cores, aproxima horizontes e coloca cada um frente a frente com seu próprio eu desconhecido e surpreendentemente inocente... Falar de amor... Quem poderia falar de toda a extensão do amor? Amor divino que nos foi presenteado na partícula de Deus que vive em cada um de nós e que nos torna capazes de, como uma pequena parte dele, também saber amar... E em meio a natureza grandiosa e singela, poderosa e humilde, comum e peculiar do amor que hoje eleva almas e amanhã elevará o próprio planeta que eu ousei falar de amor!
Thu 5th

Pedaços da História

Published by: Margareth Duval on Thursday 5th February 2009 06:02am

Personalidades: Isabelita Perón (1)

Izabelita.jpgArgentina. Janeiro, 1976. A rádio Belgrano, de Buenos Aires, transmite um ultimato dos militares rebeldes no sentido de que a presidenta da Argentina deve renunciar.

Maria Estela Martinez de Perón, mais conhecida como Isabelita, surpreende: “Somente morta deixarei a ‘Casa Rosada’”.

Os aviões, em vôos rasantes, atacam o Palácio do Governo e a “Plaza de Mayo”. Descem em picadas, aterrorizam os velhinhos que alimentam os pombos, pressionam a presidenta.

Isabelita repete as palavras que Péron havia dito vinte anos antes: “O Peronismo quando atacado não negocia: contra-ataca”.

Isabelita, a ex-bailariana do Cabaré Happykabd (Panamá), viúva e sucessora de Perón, indiferente ao ruído ensurdecedor dos jatos, andando pelos corredores do Palácio, reafirma: “Nem licença, nem renúncia!”.

A mulher de 1,55m era apresentada por Perón com as seguintes palavras: “Aqui está Maria Estela, chiquita, pero fuerte!*”

Do outro lado de Buenos Aires, os oficiais rebeldes são surpreendidos pela resistência de Isabelita. Os militares argentinos nunca se alinharam ao Peronismo, mas o Exército acredita que a crise deve ser resolvida “sem quebra da Ordem Constitucional”.

Preciso aconselhar os amotinados a se renderem. Faltam apenas 10 meses para as eleições. A inflação argentina está superior a 300%a.a. O terrorismo, contabiliza 700 vítimas. 

Aviões Camberra, Mirage e Douglas, bombardeiam as instalações rebeldes na base aérea de Moro. Os Mentores, que, instantes antes, bombardeavam a “Plaza de Mayo” e a “Casa Rosada” são destruídos nos hangares.

“Morreremos em nossas posições, respondem os rebeldes. No interior da base aérea, oficiais e praças instalam canhões de grosso calibre para repelir o bombardeio, mas é grande a desproporção de forças.

Panfletos são lançados sobre Moro, esclarecendo que quase a totalidade da Força Aérea se opunha ao movimento do grupo ultradireitista.

Resistiremos. E, caso persistam os ataques à nossa base responderemos atacando a ‘Casa Rosada’”, disse o porta-voz de Moron.

Civis são evacuados do Palácio, armamento antiaéreo é instalado no centro de Buenos Aires. Isabelita, ladeada pelo ministro da Defesa e pelo vice-presidente do Partido Judicialista declara: “Não abandonarei o Palácio e não admito nenhuma negociação com os rebeldes”.

A palavra de ordem do CGT é para que os sindicatos suspendam o trabalho em solidariedade à presidenta. Imediatamente os trabalhadores iniciam a paralisação. Os “trens do subterrâneo” dirigem-se aos pátios. Transportes de superfície (ônibus, taxis e trens), desaparecem das ruas. Trabalhadores das fábricas cruzam os braços.

Mas o grande enigma permanece: em que medida os líderes militares, que resguardaram a ordem constitucional, terão força para pressionar o governo peronista a realizar as transformações exigidas?; como afastar Isabelita, sem quebrar a ordem constitucional?

Também aos militares fala Isabelita: “Só morta deixarei a ‘Casa Rosada’!”

 

* Aqui está Maria Estela, pequena, porém forte!

Fonte: REVISTA FATOSeFOTOS GENTE. Impassível ante os vôos rasantes dos jatos rebeldes, Isabelita diz:só morta deixarei a Casa Rosada. Brasília, a.XV, n.750, 5/1/1976, 4-5p.

 

Thu 5th

Tamborim

Published by: Gustavo Moura Brasil on Thursday 5th February 2009 03:02am
Blog dedicado à temas como: poesia, escritores, cronicas, criticas, contos, Atualidades, Cultura e mais.
Rio de Janeiro, Brasil
Sun 12th

Fugindo Numa Tela de Van Gogh

Published by: Andre Soares on Sunday 12th October 2008 11:00pm

FUGINDO NUMA TELA DE VAN GOGH
(André L. Soares)
.
Cansado das vãs teorias,
busco a letargia
dos alienados felizes.
Não quero saber da política,
viro as costas ao feio
e à hipocrisia.
Entrego-me à incoerência;...
só vou ouvir os pássaros
e apreciar as orquídeas!

Chega de tantas mentiras,
da esperança perdida
da pesada leitura.
Fico à margem dos dias,
da falsa engrenagem
das tristes notícias.
Cedo-me à ignorância;...
só vou ouvir os pássaros
e apreciar as orquídeas!

Farto das ideologias,
dos beijos de Judas,
das falas prolixas.
Renego as tramas noturnas,
as turvas matizes
e as falácias da vida.
Rendo-me à intolerância;...
só vou ouvir os pássaros
e apreciar as orquídeas!
.
.
.

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