Que adianta lutar contra algo que é inevitável?
Mais fácil fugir e deixar como está
Calar para não ter que escutar
Lamúrias
que não sejam as minhas próprias
Locar um filme
Uma realidade diferente
Distrair a mente
Me boicotar
Na veia...
Inteligência é burrice
Amor, desamor
Saúde é doença
Sanidade, loucura
Na veia...
E como fica feio, muito feio
E cômodo, plácido, desesperador e estático
Meu abismo, meu escuro, meu casulo, meu amor!
Ouço sons e vozes, tique-taque, sinos
Nervoso tique-nervoso
Me como, me espremo
Unha, cabelo encravado, Amor
Cravado
No peito!
Na veia! [que transborda
amor]
Na veia! [Morfina, por
favor!]
Sun
22nd
Não é Meu
Published by: Adda Braga on Sunday 22nd February 2009 12:02pm
Outro rosto. Um rosto que não é meu, talvez de um monstro. Um
aglomerado de massa molenga. Sombras. Manchas escuras e salpicadas
na altura da testa, boca e buço. Leve penugem intercalada entre os
poros do queixo. Olhos que não são meus – são os dele – quase os de
um peixe recém fisgado, esbugalhados, inchados, etílicos. Olhos que
desejavam estar sob a terra ou presos noutra dimensão, mas
incapazes de silenciarem debaixo do peso das lágrimas. São a
expressão no silêncio, o falsete não ensaiado, a prostração da
boca, o arregalar do palato. O contraste do branco lutando com o
preto dilatado da pupila.
Trafego entre dois pólos extremos. O estado ilusório alcanço e me escapa o equilíbrio. Desejo inspiração na rotina. O quanto a felicidade alheia é capaz de incomodar e o quanto esse incômodo revela o alcance da própria mediocridade?
Trafego entre dois pólos extremos. O estado ilusório alcanço e me escapa o equilíbrio. Desejo inspiração na rotina. O quanto a felicidade alheia é capaz de incomodar e o quanto esse incômodo revela o alcance da própria mediocridade?
Sun
22nd
Morfina
Published by: Adda Braga on Sunday 22nd February 2009 12:02pm
Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
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