Wed
11th
Pele
Published by: Adda Braga on Wednesday 11th February 2009 03:02am
Eu queria abraçar ela
beijar ela
em meio a fumaça que se ergue densa,
entre um sorvo e outro meu
Confesso sentado no chão
sem vergonha com verdade.
Despido de tudo,
do ego,
Digo com a boca que amarga
as palavras
E o olho roxo
que um dia
foram beijados por sua beleza
Despido,
o corpo lateja,
As palavras passeiam na pele
entre curvas que levam ao nome seu.
Queria abraçar ela
Queria beijar ela
Hoje não sou eu
Enlouqueço
Viro de ponta-cabeça
Antes que me achem
Hoje não sou mais ninguém
Sou mais eu.
Wed
11th
O Banho
Published by: Adda Braga on Wednesday 11th February 2009 02:02am
Ainda saboreava
O gosto acre rascante
Grudado à glote e às gengivas
Quando, após perder o chão sob os pés,
pisou os ladrilhos gélidos
Do banheiro
A imagem perpassou o espelho
Em cima da pia, o maço de cigarros,
O celular - em meio aos vidros de perfume -
E a lâmina de barbear;
Tudo empesteado com o cheiro do pai.
Coisas que tornariam-se reminiscências.
Dentro do box, avidamente, deslizou as portas de blindex,
Criando para si, uma clausura,
Um esconderijo, uma pequena fortaleza
De paredes vítreas e cristalinas.
Demorou-se para girar a torneira.
E levantou a cabeça, lançando o olhar
pro chuveiro
Não queria saber de surpresas.
Viu a gota primeira ameaçar
Destacando-se do montante de gotículas
Que disputavam entre si.
Certeira, cravou-lhe o olho.
Sob o chuveiro
Pensamentos indesejáveis invadiam
A mente incansável, autoflageladora.
Evocou os números
E pôs-se a contar
Não, porque doía-lhe a censura
(Onde estavam seus sentimentos?)
Mas, para espantar as imagens que se ofereciam -
O ato antes do banho -
Cuja alma exaurira
Imagens incômodas,
Emaranhadas
Tortuosas, não.
Nada sentia (onde estavam seus sentimentos?)
Desejava uma mente limpa
Como a água
Que saía do chuveiro
E descia pro ralo
Levando embora a sujeira.
Quanto tempo mais, permaneceria ali,
Indiferente
À vulnerabilidade da nuca, entregue ao jorro d'água?
Os sentimentos anestesiados opunham-se ao frenesi sensorial
Todos os poros dilatados
Os pêlos se arrepiavam
No roçar do sabonete.
Nada fazia sentido
O tempo corria numa velocidade diferente
Não se reconhecia
Prisioneira dum corpo de formas perfeitas
A água que o ralo sorvia
Era rósea, quase vermelha.
Veio a vertigem
E junto a memória
Concedera a boca
Para um último capricho
Engolindo o que as deusas
Do Olimpo
apelidaram de néctar dos deuses
Fora mais fácil
Que pensara
Enquanto o bebia
Durante o gozo cegante
Levantou o travesseiro que escondia
A paciente adaga
Dos dois objetos fálicos apoderara-se, então:
O quente, ainda pulsante, na boca
E o frígido, que encorajava direto na tráqueia,
Ágil, seco e degolante,
Golpe da mão.
Pôde gozar em vermelho-vivo viscoso
A espera dos anos
Consumara-se o momento da vingança
Pelos abusos a fio.
Era a primeira vez
Que gozava.
No banho
Não se reconhecia
Os pés cambaleantes sobre a água rósea,
Escorrida do corpo dela,
Não eram seus
Nem as imagens turvas
Que tentavam sobrepor-se aos números
Evocados por ela
Nem o tempo pertencia
À epoca nenhuma
Perdera a contagem
Inspirava fundo
Pois o ar lhe escapava
E a vertigem
Até os tímpanos invadia
Abafando-os completamente.
Um único pensamento
Brotou claro, coerente
E a fez sentir bem.
O mesmo que a perseguira na infância
Quando sufocava por entre as lágrimas
Espremidas
Pelo peso da barriga do pai:
"Sou uma menina muito má, má, má..."
(...)
Nada de mea culpa
Sentiu-se bem.
O gosto acre rascante
Grudado à glote e às gengivas
Quando, após perder o chão sob os pés,
pisou os ladrilhos gélidos
Do banheiro
A imagem perpassou o espelho
Em cima da pia, o maço de cigarros,
O celular - em meio aos vidros de perfume -
E a lâmina de barbear;
Tudo empesteado com o cheiro do pai.
Coisas que tornariam-se reminiscências.
Dentro do box, avidamente, deslizou as portas de blindex,
Criando para si, uma clausura,
Um esconderijo, uma pequena fortaleza
De paredes vítreas e cristalinas.
Demorou-se para girar a torneira.
E levantou a cabeça, lançando o olhar
pro chuveiro
Não queria saber de surpresas.
Viu a gota primeira ameaçar
Destacando-se do montante de gotículas
Que disputavam entre si.
Certeira, cravou-lhe o olho.
Sob o chuveiro
Pensamentos indesejáveis invadiam
A mente incansável, autoflageladora.
Evocou os números
E pôs-se a contar
Não, porque doía-lhe a censura
(Onde estavam seus sentimentos?)
Mas, para espantar as imagens que se ofereciam -
O ato antes do banho -
Cuja alma exaurira
Imagens incômodas,
Emaranhadas
Tortuosas, não.
Nada sentia (onde estavam seus sentimentos?)
Desejava uma mente limpa
Como a água
Que saía do chuveiro
E descia pro ralo
Levando embora a sujeira.
Quanto tempo mais, permaneceria ali,
Indiferente
À vulnerabilidade da nuca, entregue ao jorro d'água?
Os sentimentos anestesiados opunham-se ao frenesi sensorial
Todos os poros dilatados
Os pêlos se arrepiavam
No roçar do sabonete.
Nada fazia sentido
O tempo corria numa velocidade diferente
Não se reconhecia
Prisioneira dum corpo de formas perfeitas
A água que o ralo sorvia
Era rósea, quase vermelha.
Veio a vertigem
E junto a memória
Concedera a boca
Para um último capricho
Engolindo o que as deusas
Do Olimpo
apelidaram de néctar dos deuses
Fora mais fácil
Que pensara
Enquanto o bebia
Durante o gozo cegante
Levantou o travesseiro que escondia
A paciente adaga
Dos dois objetos fálicos apoderara-se, então:
O quente, ainda pulsante, na boca
E o frígido, que encorajava direto na tráqueia,
Ágil, seco e degolante,
Golpe da mão.
Pôde gozar em vermelho-vivo viscoso
A espera dos anos
Consumara-se o momento da vingança
Pelos abusos a fio.
Era a primeira vez
Que gozava.
No banho
Não se reconhecia
Os pés cambaleantes sobre a água rósea,
Escorrida do corpo dela,
Não eram seus
Nem as imagens turvas
Que tentavam sobrepor-se aos números
Evocados por ela
Nem o tempo pertencia
À epoca nenhuma
Perdera a contagem
Inspirava fundo
Pois o ar lhe escapava
E a vertigem
Até os tímpanos invadia
Abafando-os completamente.
Um único pensamento
Brotou claro, coerente
E a fez sentir bem.
O mesmo que a perseguira na infância
Quando sufocava por entre as lágrimas
Espremidas
Pelo peso da barriga do pai:
"Sou uma menina muito má, má, má..."
(...)
Nada de mea culpa
Sentiu-se bem.
Mon
9th
Adrenalina
Published by: Adda Braga on Monday 9th February 2009 12:02pm
Gosto de lhe sentir por
inteiro
quando já me invadiu por completo
sem antes se anunciar
talvez seu poder consista exatamente nisso
num chegar despercebido e não premeditado.
O prazer de ser sua morada, quando você está no auge
é que me faz querer dançar
e então eu danço, danço que me desfaço
e meus pedaços, todos já desfacelados, em mil outros eus,
são eles, agora, que estão no apogeu
em busca de outras moradas...
Relutar não adianta.
quando já me invadiu por completo
sem antes se anunciar
talvez seu poder consista exatamente nisso
num chegar despercebido e não premeditado.
O prazer de ser sua morada, quando você está no auge
é que me faz querer dançar
e então eu danço, danço que me desfaço
e meus pedaços, todos já desfacelados, em mil outros eus,
são eles, agora, que estão no apogeu
em busca de outras moradas...
Relutar não adianta.
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