Canção do Outono Sombrio

18 Nov 2009, 12:27 am

(Autumn Canal - Leonid Afremov)
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CANÇÃO DO OUTONO SOMBRIO
(André L. Soares)
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Tenho pisado em folhas secas
que se amontoam aos pés das cercas,
depois esvoaçam pelo chão.
Acima, quase brilha um sol cinzento
simultaneamente ao vento,
que uiva a mais sombria das canções.
Vivo uma tristeza há mais de trezentos dias
sem ver flor ou ler poesia,
numa busca que parece ser em vão.
.
Nos meus olhos respinga a garoa fina
que se funde às minhas lágrimas...
(nem sei se sou eu quem chora ou se é o céu).
Escondido sob o espesso sobretudo
carrego o peso do mundo em minhas costas,
seguindo só com minhas botas e o destino infiel.
No meu caminho, a primavera não é óbvia,
sinto mais frio que num inverno em Varsóvia
(sonhos congelados na nevasca da ilusão).
.
Aspiro o pó branco que sobe pelas narinas
ou mergulho na bebida ofertada nos bares...
(falsas amigas que me empurram para a cova).
Não mais havendo lua-nova em minhas noites
semicerro as pálpebras e me acostumo ao breu;
afinal, o pior inimigo a enfrentar ainda sou eu.
.
Feito um corsário sem rumo,
minha alma de pássaro ganhou o azul,
migrou pro Sul,... foi embora no outono.
E se me mantenho em pé é por paixão:
tenho fé, que apesar de tanta derrota,
ao abrir alguma porta, ainda haverá verão.
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Leia também:
Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

Canção do Outono Sombrio

18 Nov 2009, 12:26 am

(Foto: André L. Soares)
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CANÇÃO DO OUTONO SOMBRIO
(André L. Soares)
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Tenho pisado em folhas secas
que se amontoam aos pés das cercas,
depois esvoaçam pelo chão.
Acima, quase brilha um sol cinzento
simultaneamente ao vento,
que uiva a mais sombria das canções.
Vivo uma tristeza há mais de trezentos dias
sem ver flor ou ler poesia,
numa busca que parece ser em vão.
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Nos meus olhos respinga a garoa fina
que se funde às minhas lágrimas...
(nem sei se sou eu quem chora ou se é o céu).
Escondido sob o espesso sobretudo
carrego o peso do mundo em minhas costas,
seguindo só com minhas botas e o destino infiel.
No meu caminho, a primavera não é óbvia,
sinto mais frio que num inverno em Varsóvia
(sonhos congelados na nevasca da ilusão).
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Aspiro o pó branco que sobe pelas narinas
ou mergulho na bebida ofertada nos bares...
(falsas amigas que me empurram para a cova).
Não mais havendo lua-nova em minhas noites
semicerro as pálpebras e me acostumo ao breu;
afinal, o pior inimigo a enfrentar ainda sou eu.
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Feito um corsário sem rumo,
minha alma de pássaro ganhou o azul,
migrou pro Sul,... foi embora no outono.
E se me mantenho em pé é por paixão:
tenho fé, que apesar de tanta derrota,
ao abrir alguma porta, ainda haverá verão.
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Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

Estro

20 Oct 2009, 10:57 pm

(Foto: André L. Soares)
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ESTRO
(Rita Costa & André L. Soares)
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Adoro a forma como absorve
o que de minha alma
a palavra se alimenta;...
parece que invade
minhas entranhas,
onde apanha letras e fonemas.
Sinto que preencho espaços
resguardados de outras eras,
quando vejo que em seus versos
há muito de minha essência.
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Não sei o que você pensa...
– penso que nem me entendeu –,
mas sua poesia surge no papel,
e, quem diria,... lá estou eu!
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Utopias e Ventos

14 Oct 2009, 10:29 pm

[Foto: André L. Soares]

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UTOPIAS E VENTOS
(André L. Soares)
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Desde sempre é esse mistério
no escapulário, no cavalo,
no cemitério, no cardume, no cardápio,
no calcário, na oração!
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E o que fazer diante do tempo
e da Ordem dos Templários,
na escuridão dos monastérios
ou na espada dos assírios,
sabendo que, hoje, nossos filhos
- espalhados pelo mundo -,
ainda trilham mil calvários
atrás dessa liberdade,…
sempre por vir?
.
Diante disso,…
quero explodir mil fevereiros,
riscar um novo manifesto,
sendo meu próprio Querubim
- burguês de origem operária,
razão no fio da navalha -,
reinventando a velha história
(agora me levando a sério)
e no vermelho-climatério
abrir porões, quebrar os elos,
destituindo donatários,…
por esse ‘Dezoito de Brumário’
escrito dentro de mim.
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Para Mercedes Sosa

12 Oct 2009, 10:12 pm

(Foto: André L. Soares)
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PARA MERCEDES SOSA
(André L. Soares)
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Trouxeste luz, ao sul do continente
e, de repente, nós,... povos estanques,
éramos bravos, bons, belos gigantes
e muito maior o amor por nossa gente.
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Soltaste a voz, quebrando a dor silente,
então nos vimos, bem melhor que antes:
milhões de irmãos, somando suor e sangue,
atrás do sonho,... passo firme, em frente.
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Foste o clamor dos pobres deste solo
e também diva, lírica da ética,...
estrela-guia dos poetas mais audazes.
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Hoje partiste, sem culpa e sem dolo,
pássaro livre,... flor e mãe da América,
agora, enfim, só vais cantar pros deuses!
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Soneto em Dor Maior

12 Oct 2009, 10:11 pm

(...)

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SONETO EM DOR MAIOR
(Patrícia Neme)
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O amor que eu me desejo, tem cheiro de alvorada,
tem cor de lua cheia, nas brisas de jasmim...
Amor que me incendeia nos sons da madrugada
e tece com estrelas, os sonhos que há em mim.
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O amor que eu tanto espero, tem boca apaixonada,
seu coração galopa por meu começo e fim;
me entrega seus silêncios, su’alma desnudada...
É beija-flor imerso, na flor do meu jardim!
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O amor dos meus cantares, de rimas passionais,
é puro qual o orvalho, tão vasto quanto o mar,
não anda por atalhos, seu rumo é só me amar.
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Que venha em vôo breve, dos céus dos imortais,
e então a vida eu sinta, com todo o seu ardor...
E olvide a Dor Maior, que jurei, fosse o amor!
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Loucura

30 Sep 2009, 8:38 pm

(Foto: André L. Soares)
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LOUCURA
(André L. Soares)
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Se o preço da sensatez
é o eterno questionamento
da dúvida que não cala
a cansativa fissura,...
quero esquecer as perguntas,
desejo ser mudo e surdo,
vou jogar fora o encéfalo
e me render à loucura.
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Das Marés

29 Sep 2009, 11:00 pm

(Foto: André L. Soares)
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DAS MARÉS
(André L. Soares & Rita Costa)
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Teu jeito criança
veio com o mar.
A tua esperança
nasce do mar.
A cor dessas tranças
brilha no mar;...
o futuro nas conchas,
vi na pérola negra
em meio ao coqueiral.
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O fim desse mundo
é o limite do mar.
Os desejos profundos
vêm do fundo do mar.
Nosso sonho mais lindo
sonho à beira-mar;...
no ouro da praia,
na cama de areia,
coroar-te mulher.
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À tardinha o céu desce
até beijar o mar.
O profeta já disse
que o sertão vira mar.
Então, faço uma prece
louvando esse mar;...
ao lançar minha rede
sempre peço pra lua
um novo amanhecer.
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Direito Autoral

26 Sep 2009, 4:10 am

(Foto: André L. Soares)
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DIREITO AUTORAL
(André L. Soares)
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...tal descuidada prostituta,
que engravida
e enche o mundo,
sou o pai e a mãe
de todos os meus filhos:
faço questão de assumi-los,
...feios ou não.
Não aceito adoção;
a menos, claro, que me paguem
para também prostituí-los
ou, quem sabe, óbvio,...
até concorde que, de graça,
os exibam nas esquinas
– para o merecido escárnio –,
desde que citem meu nome
como o autor das criaturas;
posto que,
...feias ou não,...
ainda são minhas!
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Raiz de Cem - Feed

Escolhas

25 Sep 2009, 10:14 pm

(Foto: André L. Soares)
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ESCOLHAS
(André L. Soares)
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Quando me refiro à vida,...
falo das esquivas, das forquilhas,
das trevas, dos entraves e dos trevos,
das histórias que contamos entre os dedos,
da chuva fina e do vento nas folhas;...
pois se falo da vida,...
falo das seqüelas dos segredos,
das quinas, das curvas das esquinas,
das dúvidas... e das escolhas.
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Raiz de Cem - Feed

Bicho Careta

25 Sep 2009, 10:14 pm

(Foto: André L. Soares)
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BICHO CARETA
(André L. Soares)
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Você que não possui voz ativa,
vive a sofrer,... a pele em carne viva;
você que é... mero pau-mandado,
medíocre, surdo-mudo,... cego e calado;
...passa a pão e água, vendo a coisa preta.
Coitado!... Saiba que você é careta!
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Você que paga as contas em dia,
constrói o bolo,... mas não ganha a fatia;
conservador,... acha que tem mente aberta,
abre o olho,... é o seu que está na reta,
...vive sonhando com uma vida perfeita.
Otário!... Saiba que você é careta!
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Não pula a cerca, nem picha o muro;
se alguém apronta,... você é dedo-duro.
Você que jamais questionou o poder,
lambendo botas,... sempre a obedecer;
...não sai da linha,... a barba sempre bem feita.
Vendido!... Saiba que você é careta!
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Bom moço,... nunca avançou o sinal,
acredita, cegamente, no bem e no mal;
sempre pensando com a cabeça dos outros,
você não ousa,... não comunga com os loucos;
...então faz a fama, mas na cama não deita.
Babaca!... Saiba que você é careta!
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Ingênuo, sonha... com o mundo civilizado
e até espera a proteção do Estado;
acreditando ser um bom cidadão,
pensa que é livre,... que tem os pés no chão;
...fica ligado,... a polícia te espreita.
Palhaço!... Saiba que você é careta!
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Você é a caça, mas pensa que é lobo,
está na reserva,... há muito fora do jogo;
puxando saco,... mas nunca se dá bem,
zero à esquerda,... bate palmas, diz amém;
...sempre passivo e, de quatro, aceita.
Covarde!... Saiba que você é careta!
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Toma no meio!... Toma, que você é careta!
Bem feito!... Não te falei?!
Toma no centro!... Toma, que você é careta!
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Raiz de Cem - Feed

Sob a Luz do Pescador

25 Sep 2009, 10:13 pm

(Foto: André L. Soares)
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SOB A LUZ DO PESCADOR
– para o meu amigo André L. Soares –
(Ju Rigoni)
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Sentado à areia possível,
a que sobra das profundezas,
o pescador prepara a rede...
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Abre-se. Revela-se.
Diz tudo que é preciso
mas que ninguém ousa;
e quando a coragem bate à porta...
(que ninguém nos ouça!)
como dizer?...
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Que sorte!
O pescador é também poeta
e tange o divino
porque não esconde o menino
e o lobo que moram nele.
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O fel das suas tardes
paira entre a manhã e a noite...
mas sua alma de pássaro
sempre migra para a esperança.
Ele sabe:
dias há em que, juntos,
sol e lua dividem o mesmo céu...
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Metáforas singram substantivos,
sangram ou cicatrizam feridas da alma...
Orações subordinam-se à emoção
no mais turbulento dos silêncios...
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Força! Eia!
O pescador empurra o barco para o mar,
e navega, navega, navega...
até vislumbrar o horizonte
que, ainda ontem, julgava perdido...
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Puxa a rede
e, sem se dar conta da sua própria luz,
olha, admirado,
a prata que no barco pulula...
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Quem consegue olhar para o sol
assim, tão de perto,
e não experimentar seu calor –
ou brilhar sob o ouro da sua luz?...
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Leia mais poemas de Ju Rigoni em: Fundo de Mim.
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Raiz de Cem - Feed

Ao Vento

25 Sep 2009, 10:12 pm

(Foto: André L. Soares)
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AO VENTO
(André L. Soares)
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Ah... esse coçar a fronte
que faço se estou tenso,
esse mirar em frente
como quem olha pro nada,
perdido tal buscasse
a imagem do impossível
ou a inacessível resposta
à pergunta que nem fiz.
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Ah... que sensação é essa,
como se o mundo fosse leve
e eu voasse em um monociclo
pelas ruas, ladeira acima,
atrás dos sonhos distantes,
lançados por sobre as ondas,
de encontro aos furacões,
na contramão das marés.
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Ah... tem ainda a sonolência,
uma vontade de estancar
e viver pleno na saudade,
pra te sentir como música,
pra te ver em meio aos lírios,
pra te amar de forma mágica,
balançando num trapézio,
sob o ‘Cirque du Soleil’.
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Raiz de Cem - Feed

À Gaia

25 Sep 2009, 10:11 pm

(Foto: André L. Soares)
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À GAIA
(André L. Soares)
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Chão! Faça alguma coisa
em prol desses teus filhos:
traga uma dose de dor e de martírio
a quem quer que explore
essa pobre gente;
e aos que te semeiam as sementes,
veja se lhes reserva dias melhores.
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Chão! Apesar dos frutos e das flores,
eu custo a acreditar
que aqui ficaste inerte,...
ouvindo calado, tanta lamúria.
Por que não te convertes
no lobo dos injustos...
...sugando, aos milhares,
os faustos malfeitores?
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Chão! Talvez não seja tarde;...
mas de que vale tua piedade
se dada a quem não merece?
Acorda e ouve atento,
todas as tantas preces
das nações carpideiras,
que não suportam mais exploração.
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Então, abre veio em ti,... Chão...
cospe de teus vulcões, agora...
tua raiva em lava, lança fora
e em catarse, erga essa bandeira
em prol dos infelizes.
Rasga tua carne em sismos,
inunda os latifúndios,
engole os edifícios,
devora os palácios,
inova esses espaços,
redesenhando o caos!...
Lança o planeta inteiro no escuro,
contanto que desapareçam os maus,
mesmo que sobrem apenas
cinco ou dez... pessoas puras,
terá valido cada rachadura e ruga
de tua pele... Chão.
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Depois, volta a dormir,
por incontáveis eras;...
assenta o pó e a poeira,...
...e por que não?
Os poucos que ficarem,
por certo, saberão
fazer um mundo novo e melhor,
após tua justiça
feita de cataclismos,...
Chão!
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Raiz de Cem - Feed

Lucidez

15 Sep 2009, 2:25 am

(Foto: Carlos Salim)
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LUCIDEZ
(André L. Soares)
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Nosso pecado original
não foi provar
do fruto proibido;
mas, sim,...
desmatar o Paraíso.
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A Relatividade da Verve

3 Sep 2009, 12:13 am

(Foto: André L. Soares)
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A RELATIVIDADE DA VERVE
(André L. Soares)
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Choram os mares abertos
por onde lançam-se os barcos,
em portos de ‘adeus’,... abscessos,...
à espera do doce regresso,
saudade incontida em gestos,
(mosaicos que dou a você)...
por toda pureza que abraço
nos beijos de janeiro a março.
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Sofre meu pulsar disperso
nas mãos que aqueço em afago,...
são cacos de vidro e pregos
da distância que faz estragos.
No entanto, o longe está perto,
no mais eu pago pra ver,...
se há mesmo esse caminho errado
nos sonhos que seguem atalhos.
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Imensa, a dor desses versos
que o poeta risca ao acaso,
louco, a vagar entre prédios,
catando lampejos e restos
da verve entregue ao passado
(embora nem saiba o porquê)...
dos astros que queimam,... eternos
nas curvas do tempo e do espaço.
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Rastros

2 Sep 2009, 12:46 am

[Foto: André L. Soares].

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RASTROS
(Rita Costa)
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Percorro as palavras
de um emaranhado mistério
e elas invadem minha alma,
deixando rastros
em meus pensamentos.
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E eu,… atrevida,
não delimitando o perigo,
as sigo… e sinto!
Sou tomada pela noite
que me acolhe
e me faz engolir suspiros…
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Além do Amor

31 Aug 2009, 11:37 pm

(Foto: André L. Soares)
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ALÉM DO AMOR
(André L. Soares)
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Maravilhoso seria possuí-la,
mostrar-me todo e real a ela,
abrir à volúpia uma janela,
o portão, a porta, a casa inteira,
até que se fizesse verdadeira,
alojando-se confortável ao coração.
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E por ser assim profunda, então...
toda palavra se tornando obsoleta,
a felicidade fazendo-se completa,
mergulhados os corpos no silêncio,
faríamos amor, como hoje penso:
a paixão elevada, além da poesia.
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A prática conduzir-nos-ia ao cansaço
e este, ao mais perfeito deleite:
vê-la dormir – tal anjo – ao abandono,
instante em que... atrevido,
eu pararia o universo,
só pra evitar que alguma luz distante
pudesse – talvez – incomodar seu sono.
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Juntos

28 Aug 2009, 4:32 pm

(Foto: André L. Soares)
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JUNTOS
(André L. Soares)
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Em cada casa, distanciados,
somos, contudo, ainda dois fortes;
porém, com menor capacidade.

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Mas se unidos os braços e as vozes,

ecoamo-nos melhor pela cidade,

reduzindo as portas e os vãos,

um ao outro ofertando seus suportes

em trabalho erquido lado a lado

- mosqueteiros contra seus algozes -.

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Mas, para tornarmo-nos assim, ferozes

- não pense duas vezes -,

basta que coloque suas mãos nuas

sobre as minahs duas mãos.

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Imprescindível

28 Aug 2009, 12:21 am

(Foto: André L. Soares)
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IMPRESCINDÍVEL

(André L. Soares)

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O dia nasceu maravilhoso...

tudo com jeito de novo,

voltando às boas, de repente.

No céu azul há um sol quente,

sorrindo raios de luz

para inspirar o meu desejo.

Eis que vislumbro sua imagem

cada vez mais próxima,

quase que posso tocá-la...

isso aquece e traz calma

ao meu espírito indócil.

.

Por entre carros e pessoas

caminho como quem sai da prisão

e olha o mundo, anos depois.

Parece que passou a eternidade

entre o momento de hoje

e a última vez que fui feliz.

Por isso inalo cada cheiro de folha,

todos os sopros de vida...

– pode haver ali, um pouco de você –

Não tenho fome, mas me alimento

do meu amor imensurável.

.

Procuro novas palavras

talvez, em outras dimensões

para explicar o que sinto

e como vivo essa paixão...

escuto frases,... arisco

e me arrisco numa canção

para falar do meu amor,

de modo repetitivo...

.

...até você compreender

que me é imprescindível...

...até você compreender

que me é imprescindível...

...até você compreender

que me é imprescindível!

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Bicho-do-Mato

21 Aug 2009, 9:12 pm

(Wolf's Reprisal - Jocarra)
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BICHO-DO-MATO
(André L. Soares)
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Desde cedo deixei
o medo de lado
e me lancei no encalço
dessa lida traiçoeira;
arrebentando elos, cordas,
cabeças, cabaços,
portas, taramelas, cancelas,
porteiras.
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Só desejo o espaço livre
no vasto da estrada,
com a liberdade própria
dos bichos-do-mato;
dispensando tudo
que me seja um fardo,
salto de peito aberto
pelas cachoeiras.
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Não divido meus caminhos
entre o bem e o mal;
tampouco temo a hora
da flecha certeira.
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Sou avesso a qualquer coisa
que imponha limites;
desconheço as leis,
os reis, as fronteiras;
vim ao mundo pelo belo
que a vida oferta:
– o mar, o pôr-do-sol, a areia,
os rabos-de-saia,...
a loucura sensual
do amor à lua-cheia!
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Não divido meus caminhos
entre o bem e o mal;
tampouco temo a hora
da bala certeira.
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Milagre Campestre

10 Aug 2009, 9:23 pm

(Foto: André L. Soares)
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MILAGRE CAMPESTRE
(André L. Soares)
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Havia pessoas numa roça,
morando em casas de taipa,
tirando sustendo da enxada,
rostos repletos de marcas,
ganhando menos que pouco.
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A lida lhes trouxe sufoco.
Privações, doenças, calos,
dor, exploração, descaso,
carência e esquecimento...
eram os prêmios do caboclo.
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No entanto, a Natureza,
dócil, sábia, generosa,...
testemunhando o tormento
dos que labutavam ao sol
– fiéis relutantes heróis –
enviou,...
aos galhos do pé-de-rosa,
na hora da Ave-Maria,
a sublime sinfonia
da orquestra de rouxinóis,...
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...e foi perfeita a paz por todo o vergel,
que logo o fruto farto floresceu;...
...e foi tão linda a festa sob o céu,
que riram e choraram:... homem e Deus.
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A Redenção de Narciso

24 Jul 2009, 9:33 pm

(Narcissus - Marion McConaghie)
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A REDENÇÃO DE NARCISO
(André L. Soares)
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Tentei tornar mais forte o coração,
fazê-lo solo agreste, embrutecido,
que resistisse a tudo, enquanto vivo,
preso à certeza pobre da razão.
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Assim buscando, fiz-me solidão,
somente tendo em mim gentil abrigo.
Pensava ser o muito que preciso;...
até que, sábia, a vida disse: – Não!
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E eu sucumbi à graça do sorriso;
pus meu destino incerto nas tuas mãos;
provei do amor - o gosto era perfeito.
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Agora vejo um mundo mais bonito:
não quero nada menos que a paixão;
nem busco o vil carinho dos espelhos.
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Uma Canção Urbana

22 Jul 2009, 9:33 pm

(Rodovia do Sol - Gerson Nunes)
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UMA CANÇÃO URBANA
(André L. Soares)
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Pela janela do automóvel
toda a cidade passa rápida,
porém, meus olhos só vêem você.
Furo os sinais, de encontro à hora trágica,
mas enquanto ela não vem…
forço a sorte, indo além
dos limites do motor…
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Pareço ouvir o ranger das rotações,…
é só a voz do demônio do farol
e eu pisando fundo, na Rodovia do Sol.
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Uma a uma, vou ferindo as leis de trânsito.
No asfalto, gritam os quatro radiais.
Alguém buzina, para chamar minha atenção…
– esforço vão –
Ligo o rádio,… aumento o som,
acendo um cigarro;
acelero ainda mais, rumo à BR-101...
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Em meu ouvido parece um ‘blues’,…
é só a canção do Vento Sul
e eu pisando fundo, na Rodovia do Sol.
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Livre

14 Jul 2009, 11:22 pm

(Foto: André L. Soares)
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LIVRE
(André L. Soares)
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Como o líder,... que comanda sem ser amo.
Como o perfume,... que invade sem ser bárbaro.
Como o pássaro,... que vai embora no outono.
Como o posseiro,... que faz bom uso sem ser dono.
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Samba do Amor Perfeito

4 Jul 2009, 1:54 am

(Samba - Lady Godiva)
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SAMBA DO AMOR PERFEITO
(André L. Soares)
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Confessa logo que você me deseja, ............. [ Ele ]
que se falo em seu ouvido você fica louca;
que seu corpo até lateja se ouve minha voz,
que quando pensa em nós, fica toda faceira;
quer rasgar a roupa e se entregar inteira,
quase me implorando um beijo na boca.
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Confesso logo que eu jamais lhe esqueço, ..... [ Ela]
que se fala em meu ouvido, acaba toda pressa;
que quando penso em nós, nada mais interessa,
que quando você passa, perco minha cabeça;
nem mesmo sei meu nome, telefone, endereço
e suplicar seu beijo é tudo que me resta.
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Sendo o que se quer, acertaremos o passo ..... [ Juntos ]
no compasso do destino que nos faz unidos;
decididas almas-gêmeas que se apaixonaram,
macho e fêmea que se amam, assaz atrevidos:
somos dois banidos desse Paraíso imperfeito,
revelando a todos que o amor é possível.
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Engano

23 Jun 2009, 10:05 pm
(Foto: André L. Soares)
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ENGANO
(Patrícia Neme)
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Eu te percebo em vôo errante e vago,
cortejas flores, rondas os canteiros.
Perdido em cores, bebes, trago a trago,
orvalho e néctar, vãos e derradeiros.
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Beijas a rosa, no cravo um afago...
Mas teus carinhos não são verdadeiros.
Teu rastro fala de dor e de estrago,
dos sonhos mortos... Todos passageiros!
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Teus passos são volúveis, causam dano,
motivam pranto, angústia, desengano,
desfolhas vidas, sem pena, sem dó.
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Tanta aridez... O que é do meu jardim?
Eu me pergunto, o que será de mim...
Assim tão triste, machucada e só!
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Para ler mais poemas dessa artista, visite:
Patrícia Neme
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Blues 'Delirium'

23 Jun 2009, 8:07 pm

(Depressão - TamiCherry)
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BLUES 'DELIRIUM'
(André L. Soares)
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São tempos
de nenhum lirismo,
falsos amigos,...
palavras de aço.
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Nas noites
em que a colcha
é o frio,
seu amante
é o delírio,...
filho do ácido.
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O corpo
reclama outra dose
[sobejo da morte
no copo de whisky].
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Só e sem forças,...
doente e triste,
ela cede a razão
ao pó
e aos frascos.
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Os Invisíveis

17 Jun 2009, 8:49 pm

(El Hombre de Arena - Madstalfos)
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OS INVISÍVEIS
(André L. Soares)
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Famintos pelas ruas,
vestidos com mulambos,
calçados com chão duro;
banhados na sujeira,
sob as luzes do entulho.
Tratados pior que bichos:
têm por teto, as estrelas;
por comida, só o lixo;
quandos mortos, sem velório;
enquanto vivos, sem defesa.
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São os filhos invisíveis,
desse matrimônio inglório
da maldade com a pobreza.
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Mágicas Fantasias

28 May 2009, 10:51 pm

[Peony - Eat01234]

MÁGICAS FANTASIAS
(André L. Soares)
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Eu a chamo de anjo, fada…
mas você se diz bruxa
‘- Bruxa do bem’, você ressalta…
e entre as alcunhas
penso milhões de fantasias.
Primeiro, a quero gueixa…
Humilde, servil e obediente,
mulher do Oriente que me olha
submissa e assustada,
apressada a cumprir
os mais absurdos mandamentos,
atendendo prontamente
aos meus mais safados desejos.
Ah… e como também são
descarados seus anseios.
Você logo se impõe
e se me oferece a menina
irônica, sorridente e pequenina,
saia de pregas, jeito de colegial.
Eu, cheio de moral, como pai erudito,
sem dó, marco com palmadas sua bunda,
depois do amor bem feito,
sem marcar o tempo,
feliz por possuir a depravada
adolescente prostituta…
deixo a sempre injusta nota de real
sob o cinzeiro do criado mudo.
Mas não fujo, visto o sobretudo
para ser seu super-homem.
De novo loucuras criativas nos consomem
e sem sair do quarto
voamos pelo mundo
como fariam Clark Kent e Louis Lane.
De volta em meio aos lençóis
você me xinga, você me atiça.
Dedo em riste, eu a chamo puta,
você finge que se assusta.
De joelhos, eu a clamo santa,
você se faz de rogada.
Então a visto da mais ampla nudez
e a exponho assim sobre o andor,
para que vejam a mulher
com a qual eu faço amor.
Depois, em punição, a prendo algemada,
só de calcinha na redoma,
corro à perfumaria
e encho nossas fantasias de aroma.
Agora relaxados, no ar Issey Miyake,…
a cabeça cheia de marijuana,
você se engana e pensa que por hoje
dei stop a nosso filme.
Mas logo a seguro firme pelos braços,
docemente a enlaço pelo meio,
beijo sua boca ao estilo Casablanca.
Parece até adeus no pequeno aeroporto,
mas não nos despedimos, ainda não!
Apenas nos deitamos coladinhos
de conchinha no cantinho do colchão,
para renascermos no outro dia.
.
Pela manhã, perfumado e excitado,
barba feita, banho tomado, já de pé,
trago um sorriso e uma rosa,
a bandeja com o jornal e seu café.
Agora sou romântico e atencioso cavalheiro
ou qualquer outro personagem que você quiser,
amando-a loucamente e por inteiro,
ávido por conhecê-las, uma a uma,…
todas as suas mil facetas de mulher.
.
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Em Mim

26 May 2009, 10:30 pm

(Si Habian Rosas - ZapaLina317)
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EM MIM
(André L. Soares)
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Tens o encanto
da melhor hora do dia,
quando tudo é só poesia
na forma de bem-viver.
Daí,... portanto,
sigo como eu queria
respirando tua beleza
enquanto te espero chegar.
.
Vou superando
os revezes do caminho
e se antes ia sozinho
sei que agora não vou mais.
Teu coração,
onde for levo comigo
pra fazer o impossível
sem querer olhar pra trás.
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Veredas e Diamantes

25 May 2009, 10:17 pm

(Foto: André L. Soares)
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VEREDAS E DIAMANTES
(André L. Soares & Rita Costa)
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Ver-te aqui, nessas horas...
de palavras sentidas, sem alarde,
em que transcendes a poesia,...
é ter nos olhos refletido
o sereno transparente da aurora.
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Vertes em mim,... inconsciente,
toda a alma em verdades
que transpassam pela pele,...
revelando fragmentos
que até então desconhecias.
.
Enfim,... invertidos os prismas,
busco, no oculto de tua lágrima
– delatora a descer sobre os relevos –,
o umbral que me leve aos rituais
de intuições e de segredos.
.
Assim,... verso a delicada semente,
subscrevendo em silêncio
cada verbo dos gestos que vi
florescer, em mais um dia,
pela essência dos sorrisos.
.
.
.
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Inópia

2 May 2009, 8:54 pm

[So Lonely Doll - Delun]

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INÓPIA
(André L. Soares)
.
Nesse tempo,
em que a barbárie é bomba,
qualquer sobra de virtude
é sombra…
da gigantesca indiferença
a espalhar-se sob o sol.
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Nesses dias,
em que ninguém se encontra,
toda amostra de amor
assombra
a nós,…
cada vez mais acostumados
a passar a vida sós.
.
.
..

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Trabalha à Dor

1 May 2009, 11:12 pm

(Foto: André L. Soares)
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TRABALHA À DOR
(André L. Soares)
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Muita coragem tem toda essa gente
que marcha firme, dia-a-dia pro trabalho;
é nosso orgulho: classe de operários,
pelas cidades, pelos campos,... sempre!
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Há que ter força pra seguir em frente
sob a pressão infinita dos horários;
comendo a seco o pão dos proletários,
nessa marmita com batatas-quentes.
.
E se o Gigante é injusto com seus filhos
(matando à míngua o povo que batalha),...
em prol de quem explora o santo suor,
.
não tardará a justiça do oprimido,
a nos livrar, por fim, desses canalhas;...
...e quem trabalha vai ter mais valor!
.
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Dedicado a todos os trabalhadores do Brasil e, em especial, a Augusto Boal e a Paulo Freire, operários da Arte e da Educação que, respectivamente, colocaram seu teatro e sua pedagogia a serviço da conscientização das massas, buscando sua libertação. Panfletário? Sim. Porque, infelizmente, ainda é preciso.
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O Amor

27 Apr 2009, 10:03 pm

(The Lovers - Zephiriss)
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O AMOR
(André L. Soares &
Rita Costa)
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O amor é um sacrifício,...
o mais doce suplício,
meu sonho de martírio,
melhor sempre no início.
O amor é mesmo isso...
às vezes, um negócio,
íntimo equinócio,
do clitóris ao prepúcio.
O amor é imenso vício...
sem hora ou compromisso,
desânimos no ócio,
nem fácil, nem difícil.
O amor é esquisito,...
um gostoso castigo,
demônio que é bendito,
inflamando o Vesúvio.
O amor é tão bonito,...
silêncio e também grito,
delícias em dilúvios,
calor, dor e abrigo.
O amor é esse bicho...
surgido do impossível,
voando em precipício
do inferno ao paraíso.
.
O amor não dá em rios,...
nem nasce no Estácio
não se prende a espaços,
vai esguio em meio-fio.
O amor não é infinito,...
requer tantos cuidados,
senão, faz mil estragos
aos mais desprevenidos.
O amor dá veredictos,...
condena os omissos,
convoca os esquecidos,
liberta os infelizes.
O amor vive conflitos...
em flagrante delito:
de um lado, puro espírito;
de outro, sexo explícito.
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À Beira-Mar

24 Apr 2009, 7:32 pm

(Fantastic Sea - FantasticDream)

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À BEIRA-MAR

(André L. Soares & Rita Costa)
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Convém camuflar
nas profundezas da alma
as palavras mais puras.
Fixar o olhar na areia macia
onde, a todo instante,
a espuma branca faz carícias.
.

Melhor seja que a brisa
– mistura de sal e maresia –
castigue os lábios em sorriso,
carregando para o mar
o mais leve sussurro,...
pairando sobre as ondulações
as palavras proibidas.
.

Sendo assim,...

que só as aves marinhas

decifrem a poesia que existe

quando minhas lembranças

façam aflorar dos sentidos

os desejos mais além,...

mergulhando-as em sonhos,

no abissal das emoções,...

como convém!

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Gênesis

24 Apr 2009, 6:21 pm

(Fotografia - André L. Soares)
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GÊNESIS
(André L. Soares)
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Por Tua vontade o nada se fez óvulo,
para gerar perfeito cosmo físico,
todo de gases, sólidos e líquidos
(mundos distantes, com um mesmo vínculo).
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Os elementos voam (rotas em círculo),
pela explosão que expande luz e ritmo,
parindo estrelas (símbolos do místico)
na proporção divina de Teu cálculo,...
.
que muito além da mágica e da lógica,
supera mais de dois bilhões de séculos
(desse universo imune ao verbo trágico),
.
e acresce, à esfera azul, a melhor fórmula,
modificando a essência das moléculas,
até brotar a vida... e um ser fantástico!
.
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O Menino de Beirute

24 Apr 2009, 3:43 am

(War Child - Wor)

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O MENINO DE BEIRUTE
(André L. Soares)
.
Embora tivesse escolhido a felicidade
a julgar pelos prédios em ruínas,
a felicidade não o escolheu.
Ainda assustado, guardou no bolso
– junto ao retrato dos pais –
três rubras gotas de ódio e saiu.
Queria sorrir para o mundo...
em resposta, as ruas sujas gargalhavam
um sarcasmo seco, de fuzil.
Em dia claro, choviam estilhaços.
Nos seus braços uma ferida sangrava
e ele em total torpor
(historicamente anestesiado,...
coração nasce blindado
onde não há amor?).
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Entre a poeira cinza dos escombros
a infância resiste e ele se ilude
num jogo de bolas de gude, distante dos bombardeios.
A paz agora é a moribunda sombra,
que se alimenta do prometido cessar-fogo
(rápido rasgo de esperança
que se curva às tradições e aos interesses;...
e haja paixão para manter viva essa loucura).
.
De novo correndo entre os corpos,
sonha o dia em que possa descansar
sem temer – na esquina – um inimigo,
usar roupas limpas aos domingos,
falar de coisas lindas,... ver o luar.
.
Ele não vai hoje à escola,...
(arremedo queimado de salas de aula)
porque seus professores
trocaram os livros pelas armas.
Hoje ele não vai à escola,...
mas traz marcadas em sua pele
todas as mais duras lições.
Ele hoje não vai à escola,...
dez anos nessa vida infeliz
e a promessa de vingança
como sagrada cicatriz.
.
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Grito Vertical

24 Apr 2009, 3:37 am

(Foto: André L. Soares.)
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GRITO VERTICAL
(André L. Soares)
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Têm momentos em que a Geometria é louca
Tudo fazendo parecer fora de esquadro
Triângulo-retângulo - desenhado no dia-a-dia
Travestido de círculo-vicioso
Embutido - silencioso - nas linhas do hexágono
Expondo duas vidas - paralelas - que se buscam
E que - não adjacentes - cruzar-se-ão no nunca
Esperando - talvez - um milagre assimétrico.
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Apostando - quem sabe - no absurdo geográfico
Ambas ofertando o tempo à pira do sacrifício
Alheias à dor, à saudade e ao ridículo
Andam livres - a sorrir - à beira do precipício
Marcando e adiando - comumente - seus encontros
Matando - na distância - o seu melhor
Movendo-se - sem perpendiculares - por vias diferentes.
Mormente - a essas retas - o beijo é algo impossível
Olham-se - sempre separadas - sustentadas no desejo
Obstruídas - que estão - pela linearidade lógica e precisa.
Obtusa paixão - inviabilizada pela Física:
Obviamente - esse amor - tende ao infinito intangível.
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À Mulher - III

15 Apr 2009, 7:47 pm

(Tenis - Sarah Bishop)
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À MULHER – III
(André L. Soares)
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Como é viver para ser única e ser tudo,...
no próprio corpo ter-se a santa na devassa,
a que liberta e ao mesmo tempo faz-se escrava;...
tanta coragem, sobreposta ao plano injusto?
.
Por que ser forte, suportando a dor do mundo,...
fingir-se frágil porque querem os patriarcas,
reconhecida na beleza e pela graça,...
dóceis limites de um contexto de absurdos?
.
Pra que conter-se, se está claro que é melhor
essa tua forma de buscar o bem no amor,
sem esperar que venha alguém agradecer?
.
Então me escuta: faça a ti mesma um favor,...
lembra que o esforço de tua luta tem valor
pois nessa vida nada é maior que uma mulher.
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Humano

8 Apr 2009, 6:25 pm

[Renata Domagalska]


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HUMANO
(André L. Soares)
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Queria te falar sobre estrelas,
porém, desconheço as alturas.
Pensei em te ofertar minha pureza,
mas quem sou eu…
se cresci livre pelas ruas.
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Pudera eu te contar boas histórias,
descrever uma vida sem agruras.
Sonhei em te cobrir de jóias,
mas, sou plebeu…
nunca tive ou quis alguma.
.
Bom se eu coubesse em teus sonhos
na exatidão da ordenada com abscissa.
Tentei ser só alma e coração,
juro, não deu…
sou de aço, pedra e fúrias.
.
Quisera eu não fosse assim, só erros
e a verdade brotasse em meus lábios.
Talvez, eu possa te salvar do tédio,
mas, se nem isso…
faz um esforço e me perdoa.
.
É que sou tão muito humano
– bem-dotado… de defeitos –
minha perfeição é sempre
ser complexo imperfeito.
E apesar desse jeito insensato,
só uma coisa não aceito…
– ah isso não! –
é que duvides que te amo.
.
.

...

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Soneto da Culpa em Pedro

7 Apr 2009, 8:23 pm

(Peter - Phatpuppy)
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SONETO DA CULPA EM PEDRO
(André L. Soares)
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Tentei dizer,... mostrar o quanto é bom
seguir Teus passos no sagrado chão,
gozar a vida sem sentir-me vão,...
pois vi no amor o mais divino dom.
.
Movi meus lábios, surpreendi-me com,...
ao pensar ‘– Sim’, da língua ter o ‘– Não’!
Neguei três vezes, tal previsto e então...
aconteceu de o galo dar o tom.
.
Naquele instante, em que falhara a fé,
quando fingi desconhecer quem És
e repeti que nem fora um dos Teus,...
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vencera o medo, ao induzir minha voz
a rir de Ti, por vir morrer por nós...
e, feito assim, tornei-me algoz de Deus!
.
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Raiz de Cem - Feed

Complementares

25 Mar 2009, 7:48 pm

(Complementares - André L. Soares)
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COMPLEMENTARES

(André L. Soares)

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Muito de mim é o seu inverso,

outra parte é tudo que você detesta;

tenho um pouco, que lhe parece

e um restante que desconhece.

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Você odeia minha melhor metade,

mas venera justo onde não presto;

quando nego... me vem inteira

e quando imploro, chega-me aos restos.

.

Quando sou sol, você se faz frestas

e se sou aresta, logo me esquece;

sendo eu angelical, você me profana,

mas se sou sacana, você entoa preces.

.

Onde eu silencio, você é grito e gesto;

se sou ‘habeas corpus’, você quer arresto;

quando acordo alegre, sua alma fenece,

mas se esmoreço, logo dá festas.

.

Por agora o difícil é a vida avessa,

na distância que, hoje, a gente atravessa,

em que você é sábado e domingo,

enquanto ainda sou segunda e terça.

.

Porém, cedo ou tarde (não precisa pressa),

tiraremos a limpo, toda essa conversa;

somos corpos bons, em sanas cabeças,...

amar as diferenças ainda nos interessa.

.

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Mais-Que-Perfeito

23 Mar 2009, 7:01 pm

[Fractal - MecM]

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MAIS-QUE-PERFEITO
(Rita Costa)
.
Haverá algum verso
capaz de descrever
o breve instante
em que, num só fôlego,
atravessa-se o silêncio
e o perfume existentes no ar?

Como traduzir,
naquele milésimo de segundo
e a mesma beleza que há
no brilho dos olhares
– rodamoinhos de mistérios
castanhos –,
quando, revelando os sentidos,
buscam saciar a sede
do corpo inteiro?

Talvez seja impossível
descrever o encanto
de infinitos versos,…
tal a poesia nascida
do assovio dos rios,…
quando deslizam sobre as pedras,
inundando os veios das florestas,
preenchendo o abismo,
legitimando a vida.

(…)

Descrever aquele instante,
a harmonia existente
entre a graça e a volúpia,
haveria de ser música.
.
.

.

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O Beijo

21 Mar 2009, 1:11 pm

(The Kiss - Francesco Hayez)
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O BEIJO
(Clarrissa Yemisi)
.
Tu foste todo sombra noite a dentro
pairavas e tragavas e tossias
por entre mãos de fumo tão vazias
é em ti, somente em ti, que me concentro.
.
À grande custa, à força bruta, adentro
a tua fortaleza, carnes frias
e sinto exatamente o que sentias:
em tua alma o amor foge do centro.
.
Como quem quer livrar-se de uma pena
e nesse vão delírio traiçoeiro
é a si - mas não somente - que condena.
.
Depois tu vais embora sorrateiro
e a única ternura dessa cena
é o beijo no cigarro no cinzeiro.
.
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Leia mais Clarrissa Yemisi em: Miolos de Pote.

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Sem Metáforas

20 Mar 2009, 8:17 pm

(Violence - Aspius)
.
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SEM METÁFORAS
(André L. Soares)
.
A gente pode prosseguir blefando
– ou não –
que o mal será curado com falsa democracia;
que eleição e referendo são remédios eficazes;
que Deus é brasileiro e essa nação tem bom futuro
e que a moral religiosa aponta mesmo uma saída.
.
A gente pode continuar mentindo
– ou não –
que a corrupção se estancará pela via do Direito;
que bem distribuir renda se faz com negociação;
que não derramar sangue torna todos mais felizes
e que se faz revolução sem que haja algumas perdas.
.
A gente pode dizer, se equivocando
– ou não –
que o narcotráfico está sendo mesmo derrotado;
que as garras das máfias não se apossaram do Estado;
que somente a educação vence a injustiça social
e que é algo construtivo o que chamamos de mídia.
.
A gente pode persistir se iludindo
– ou não –
que se deve acatar a ‘banda podre’ da polícia;
que a morte não é cura exata para os crimes políticos;
que humanismo recupera estuprador e assassino
e que nossa covardia nos faz um povo especial.
.
A gente pode ir avante se enganando
– ou não –
que basta fechar os olhos ao que sofre o vizinho;
que o povo não pode assumir o controle de um país;
que se pode viver bem negando a guerra civil
e que ninguém quer ver cortado esse mal pela raiz.
.
A gente pode até deixar que as elites roubem tudo.
A gente pode ser passivo e até mentir que é cristão.
A gente pode até viver em um nível subumano.
.
Mas até quando?
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Raiz de Cem - Feed

Concerto

19 Mar 2009, 8:30 pm

(Il Maestro di Musica - Valerio Mazzoli)
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CONCERTO
(André L. Soares)
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O ontem é um deserto,
sem conserto;...
o amanhã incerto,
espaço aberto;...
mesmo quando perto,
o futuro é só projeto
– incompleto –
ao qual o destino impõe vetos,
cortes e enxertos.
.
No tempo que vai direto
e reto...
– ambidestro –
somente o hoje
é concreto concerto,...
tendo o homem por maestro.
.
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.

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Antropocêntrica

10 Mar 2009, 12:00 pm

(God's Canvas - Delacorr)
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ANTROPOCÊNTRICA

(André L. Soares & Maria Eugenia)

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O que fazer

após o derradeiro invento?

Recriar outra inutilidade qualquer?

Não aceito isso.

.

O compromisso humano,

deve ser mais nobre.

Talvez sejamos protótipos de deuses;

quiçá, deuses melhores.

.

Presumo que esta esfera

por nós habitada

e perdida no universo,

traduza apenas

tênue estágio

de uma insípida existência.

.

Sinto que a vida não passa

de engenhosa sacanagem,

ou espécie de castigo.

Em benesse,...

não acredito.

.

Não fosse assim,

não existiria sofrimento

e teríamos respostas

às perguntas mais simples:

– De onde viemos e...

onde iremos aportar?

.

Tudo seria menos complicado,

a felicidade não existiria em “flashes”

se Deus fosse um ser que fala e mexe,

ao invés do mito

escondido no nada.

.

Então nós,…

frente às tangíveis divindades,

coexistindo num plano mais lógico,

reinventaríamos este

e outros mundos

fazendo do amor ao próximo

enfim, algo possível.

.

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Olhos Felizes

6 Mar 2009, 8:56 pm

[Eyes And Light - Vyrl]

Eyes And Light - Vyrl

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OLHOS FELIZES
(André L. Soares)
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Aventureiro,…
o meu beijo é Marco Pólo
em busca de tuas Ilhas Virgens,
percorrendo,… absorto,…
pêlos e poros desse corpo,
até que sintas vertigens,…
enquanto minhas retinas
– hábeis atrizes –
fingem não ver, em teu rosto,
o brilho (in)comum aos olhos…
quando felizes.
.
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.

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Soneto das Ruas - I

6 Mar 2009, 1:55 pm

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SONETO DAS RUAS – I
(André L. Soares)
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Eu vendo doces, o dia todo, no sinal;
trabalho duro, defendendo o ganha-pão.
É o que me cabe, já que nem sou cidadão...
– Só busco um troco pra tentar não passar mal.
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Têm uns esnobes,... muita grana e coisa-e-tal,
então me humilham, viram rosto, dizem: – Não!...
num gesto brusco, como quem afasta um cão,
porque sou pobre, já me vêem marginal.
.
Por isso, agora, vou assumir o que já sou:
um vagabundo, destemido, bicho solto...
que nunca corre nem dos ‘home’, nem da morte,
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metendo o berro, faço as vezes do mais forte,
forçando a barra atrás do meu lugar ao sol,...
pra ver se fujo para sempre desse esgoto!
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Alma de Poesia

5 Mar 2009, 12:11 pm

(Perspectives II - Sergei Firer)
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ALMA DE POESIA
(André L. Soares)
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Vem até mim essa mulher dos olhos dóceis,
zelar-me o ego, com carinho... que é sua força,
própria de quem nunca perdera o jeito moça,
mesmo que a vida tão sofrida assim lhe fosse.
.
Belos cabelos, cujo vento em vão contorce,
camuflam a aura, pura e frágil como a louça,...
esperançosa por reunir a paz que possa
e a liberdade que jamais lhe foi precoce.
.
Por sua palavra até a tristeza ganha graça,
sem haver tempo em que sua luz me seja escassa
principalmente, quando diante de sua face...
.
sou arrebatado de uma nudez que me devasse:
canção de amor lançada aos céus e o vento trouxe
e que em minh’alma fez morada e tomou posse.
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Nome Perfeito

4 Mar 2009, 6:01 pm

(The Sensual Woman - Leventep)
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NOME PERFEITO
(André L. Soares)
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Fogo, o que tens entre as pernas,
o amor, teu mais utópico sonho,
as ruas são teu eterno colégio,
desejo é a dimensão de tua fome
e eu,... teu mais rústico homem.
.
A angústia mora no teu relógio,
paixão, o que vem de tua alma,
sexo é o senhor de teus mundos,
pudor, tua lei interna não quer,...
teu nome perfeito... 'mulher'.
.
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Raiz de Cem - Feed

Heroína

2 Mar 2009, 6:35 pm

(Tricky - Sas Christian)
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HEROÍNA
(André L. Soares)
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Ela vive superando
– em cada dia –
um trabalho, uma batalha, um suplício.
Sacrifício nem sempre reconhecido,
mas a vida continua
e – apesar de tudo – ainda é boa...
.
Em meio a lágrimas e risos,
prioriza o necessário e o possível.
Entre os objetivos de mulher:
fracassar, parar, fugir,
simplesmente não lhe é algo permitido;
restando-lhe apenas...
– por destino inevitável –
prosseguir.
.
Mas isso ela faz bem,...
já até se decidira:
– não viverá à mercê
das ventanias e das vontades alheias
– e pouco importando o tamanho
ou a densidade das barreiras –,
ao final...
– radiante e linda –
haverá sempre de vencer.
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Alada

28 Feb 2009, 12:10 pm

(Green Room - Sas Christian)
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ALADA
(André L. Soares)
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Do seu mais recôndito interior
– aos gritos –
sua alma feminina
exigia liberdade,
presa que se encontrava
aos tabus e à rotina.
Sufocada por cruel realidade,
decidiu que não mais recuaria
– um passo sequer –
em seus sonhos.
Agarrada à necessidade
de ser nova,... de ser outra
– inédita até para si mesma –,
olhou as agruras do passado
como quem, no cais,
se exila do país.
Chorou seus anseios,
estendeu as asas
– que já imaginava possuir –,
ganhou as alturas,
voou,...
foi ser feliz.
.
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Samba do Amor Perfeito

14 Feb 2009, 9:22 pm

(Adam and Eve - Titian)
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SAMBA DO AMOR PERFEITO
(André L. Soares)
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Confessa logo que você me deseja, ............. [ Ele ]
que se falo em seu ouvido você fica louca;
que seu corpo até lateja se ouve minha voz,
que quando pensa em nós, fica toda faceira;
quer rasgar a roupa e se entregar inteira,
quase me implorando um beijo na boca.
.
Confesso logo que eu jamais lhe esqueço, ..... [ Ela ]
que se fala em meu ouvido, acaba toda pressa;
que quando penso em nós, nada mais interessa,
que quando você passa, perco minha cabeça;
nem mesmo sei meu nome, telefone, endereço
e suplicar seu beijo é todo que me resta.
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Sendo o que se quer, acertaremos o passo ..... [ Juntos ]
no compasso do destino que nos faz unidos;
decididas almas-gêmeas que se apaixonaram,
macho e fêmea que se amam, assaz atrevidos:
somos dois banidos desse Paraíso imperfeito,
revelando a todos que o amor é possível.
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Raiz de Cem - Feed

Soneto da Razão do Louco

14 Feb 2009, 6:27 pm

(You Drive Me Crazy - Eikoweb)
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SONETO DA RAZÃO DO LOUCO
(André L. Soares)
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Se controlado, então passo a ser outro,...
mas, se me mostro livre e original,
a sociedade prima pelo igual
e logo diz que sou só mais um louco.
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Se invento coisas, tal um deus absorto
– posto que em mim existe um mundo real –,
alguém me interna; e pra curar o ‘mal’...
...ganho torturas para a mente e o corpo.
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Mas, alguém sabe sobre o certo e o errado?
Por isso indago;... e quem puder me diga:
– Serão malucos todos em suplício?
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– Quem mais merece estar dentro do hospício:
o homem insano,... pronto para a briga?
ou,... o homem normal,... passivo feito gado?
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À Espera

12 Feb 2009, 10:26 pm

(Portrait Fille - Tamara de Lempicka)
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À ESPERA
(André L. Soares)
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Fim da tarde. O tempo parece mais preguiçoso que de costume. Através do vidro, sinto a cidade sem prestar atenção a detalhes. Impedido estou de perceber as minúcias da beleza à minha frente, pois, se os olhos aqui se encontram, o pensamento há muito bateu em retirada, vagueando longe, atrás do que me falta. De repente, um ranger de ferros de portão; um farfalhar manso junto às árvores; um leve ruído de chave fina que invade e gira a fechadura. Com a porta que se abre o vento traz primeiro, a energia positiva que me anima; depois o perfume, sinônimo de minha ‘anti-solidão’. Ouço o som de pés delicados, quase a flutuarem sobre o tapete da sala. Em mim é festa; como se a Felicidade bailasse ao som da música perfeita. Viro-me em tempo de perceber um sorriso irradiar o quarto, antes mesmo que tua silhueta se complete sob o umbral. Pronto. Por tua chegada, e após o beijo que trocamos, identifico agora todos os tons, antes inatingíveis, da paisagem que se faz pintura na moldura da janela.

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Dinheiro

12 Feb 2009, 11:41 am

(Foto: André L. Soares)
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DINHEIRO
(André L. Soares & Daisy Serena)
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Dinheiro! O vil metal do mundo inteiro.
Comprando gente a preço de banana,
como se fosse domingo, em fim de feira;
como se alguém que tem dinheiro fosse a fera
e quem não tem fosse somente mera presa;
como se o homem fosse carne sobre a mesa;
como se a vida se resumisse em comércio;
como se a vida fosse um item de negócio:
todo mundo fatalmente tendo um preço!
.
Qual o teu preço? Quanto crês que vales?
Pessoas cobram aluguel para morar dentro do peito.
Infinitos centímetros de amor nada valem
se não tens carro e dinheiro
para bancar os sonhos das meninas,...
essas faces hipócritas se unhando umas às outras,
enlouquecidas por um fútil pedaço de papel imundo.
Onde te encontras em meio a tantos animais perdidos?
Onde encontras o preço da tua felicidade?
Cuidado na esquina! Pois se não tens dinheiro és vagabundo;
mas se tens, arrancam à força tua face!
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Rebelde

11 Feb 2009, 12:57 pm

[Passion - Rovino]


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REBELDE
(André L. Soares)
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Teus mistérios me devoram,
me transformam em compulsivo curioso,
homem em fogo a desejar-te todo tempo,
espantado com a cor desse fascínio;…
mas sob teu domínio
meu amor é furiosa tempestade!

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Liberdade é tolice que abdico.
Quero ser, por livre-arbítrio,
tua propriedade,… teu escravo.
Vem satisfazer-se plena em mim,
mas não conta sempre assim
com essa leal passividade.
Sou mesmo de veneta,…
vez ou outra, sou rebelde amotinado.
Tendo rabiscado cicatrizes na tua pele,
deixarei mordidas em tua carne!

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Invertido, assim, o jogo de cartas marcadas
entre a casa grande e a senzala,
se à luz do dia, tu mulher és minha dona,
quando, enfim, a noite acalma,
sou eu o amo de teu corpo,
tu és minha mucama…
servil, apaixonada!

.

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Soneto da Total Entrega

31 Jan 2009, 3:20 pm

(Flamenco Female Dancer - CrisVector)
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SONETO DA TOTAL ENTREGA
(André L. Soares)
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Tendo comprometido o coração
deu-se além, de modo mais complexo,
a saciar-lhe o peito, o ego, o gosto, o sexo,
sem haver se arrependido, então.
.
Contudo, quanto mais ela se dava
de novo, mais queria ainda se entregar,
como, provando, viciasse o paladar,
escravizando a alma, a mente e a palavra.
.
E assim doou o pensamento após, até
face a veemência com que partia o corpo,
a ponto mesmo de lhe faltar o ar, também;...
.
matando a própria ambição, tal um aborto,
querendo ser somente a sua mulher,...
agora e sempre, na hora do amor,... amém!
.
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Alice

29 Jan 2009, 4:43 pm

(Kousai - Ephemeralciel)
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ALICE
(André L. Soares)
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Alice, embebida de pureza,
há poucas horas chegara ao planeta,
ainda estava imune à maldade,
quando as notícias velozes
rasgaram-lhe as têmporas.
.
Lágrimas verdes vertendo das retinas,
pontas de dor aguda a lhe fisgar o peito,
grito de clave de sol, preso à garganta,
ela então, vê a santa desnuda
sob a luz fria do cotidiano,...
momento em que o belo pintou-se de breu
(sabor amargo de inocência trincada).
.
Cansada, recolhe-se ao quarto,
a proteger-se dos cristais e plasmas.
Após sangrar lembranças, cerra as pálpebras,
chora e soluça outra vez, sozinha.
Por fim, Alice adormeceu!
Em seus sonhos ainda existem flores,
a água e a verdade parecem cristalinas
e até o coração do homem é bom.
.
Acanhado, procurei algo
que a fizesse sentir-se melhor
quando acordasse;
tentei criar um ‘origami’, mas já era tarde,...
eu só tinha em mãos, a realidade.
.
.
.
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Sublime

28 Jan 2009, 2:35 pm

.[Foto: André L. Soares]

André L. Soares.

.

SUBLIME
(Rita Costa)
.
Mais-que-perfeita,
tua frase em mim
faz-se explícita
e a recíproca verdadeira
cala em meu peito toda dor.
.
Mas guardo no silêncio
as palavras que, de súbito,
tornam-se infinitas
para que esperem nosso tempo,…
cada uma, a sua vez
de verterem permissivas
da minha alma,
por minhas veias, meus poros
e em minha boca,…
unindo-se ao teu nome,
que tantas vezes sussurrei.
.
.
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Gol

27 Jan 2009, 8:50 pm

(Goal - Detail244)
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.
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GOL
(André L. Soares)
.
A vida é um jogo?
Não!
.
Melhor que isso:
a vida é um jogo ganho!
Cada dia sendo
um gol de placa.
.
Pena que, tolos,...
quase não comemoramos.
.
.
.

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Raiz de Cem - Feed

Quem É Você?

26 Jan 2009, 5:01 pm

(Lips After Tamara De Lempicka - Luxcious)

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QUEM É VOCÊ?
(André L. Soares)
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Quem está aí do outro lado?
Qual a cor do seu perfume?
Quais os sons de seus desejos?
De onde vem o cheiro da sua roupa?
O que seu rosto diz enquanto dorme?
Seus olhos brilham mais se você canta?
E o que você mais sonha acordada?
.
Que música lhe traz mais alegria?
Qual a maior metáfora da sua vida?
Diante da surpresa, suspira ou gargalha?
Do que você tem medo quando chora?
Você se arrepia se sussurram em seu ouvido?
Onde está a sua mais dócil mania?
E o que você mais diz quando calada?

.

Para onde você foge ao sentir medo?

Como se acalma quando assusta?

Seus sonhos de criança têm orquestra e realejo?

Ao dançar você aperta seu parceiro?

Onde está o baú com seus segredos?

Como você reage se espera e não vem nada?

Qual fruta melhor traduz seu beijo?

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Ao Maldito George Bush

17 Jan 2009, 7:54 pm

(Demon’s Door - Gray Sapphire)
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AO MALDITO GEORGE BUSH
(André L. Soares)
.
Chegado ao fim o horror que foi teu tempo,
marcado pelos traumas dessas guerras,
que a morte ganhe, pois, mil mãos severas
pra urdir teu mais moroso sofrimento.
.
Que, à madrugada, os gritos mais horrendos
– dos homens bons, dos quais fizestes feras –,
vindos das covas rasas e trincheiras,
cheguem a ti,... sofridos e violentos.
.
Tendo levado caos a tanta gente,
que, então, conheças dor na iniqüidade,
preso às masmorras tórridas do inferno,
.
onde terás pavor por todo o sempre
e te unirás aos outros vis covardes,
quando virás a ser pasto de Cérbero.
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'Retirâncias'

17 Jan 2009, 7:53 pm

(Abaporu - Tarsila do Amaral)
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‘RETIRÂNCIAS’
(André L. Soares)
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Correu até a porta,
parou em pé, no alpendre...
– por dentro, quase morta –,
fez do sorriso amarelado
a máscara de forte;
de profundo silêncio compôs
uma ode à saudade;
mas não pôde deter
a lágrima involuntária
que o chão seco logo absorveu.
.
Queria ser imune à dor.
Sua cabeça, porém,
já mergulhada no passado,
trouxe à tona uma vida inteira:
– momentos que tornavam insuportável
o brusco desapego.
Haveria, então, que sofrer
outra vez mais.
.
Foi assim que, atônita,...
em pé, no alpendre,
querendo parecer viva por fora
– por dentro já estando morta
ouviu se esvaírem na distância
os passos do derradeiro filho
a ir embora.
.
.
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Raiz de Cem - Feed

Por Darfur

15 Jan 2009, 3:08 pm

[Africa - Zikarkreidieh]



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POR DARFUR
(André L. Soares)
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Diz que tua maldade
é só loucura,…
fruto de uma dor insuportável
que nem mesmo o
tempo curou.
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Deixa que eu sinta
alguma culpa.
Divida comigo esses crimes,…
tu que irás beber
todo esse sangue,
derramado em nome
da ambição.
.
Mente!
Tenta iludir o orto das lágrimas!
Pois não quero crer
que seja, o homem,
o mais carniceiro
dos Leviatãs.

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Liberta

15 Jan 2009, 2:44 pm

(Free - Shylydrya)
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LIBERTA
(André L. Soares)
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Deixava-se molhar por sob a chuva,
abria os braços e recebia as águas,
liberta que se achava das amarras,
indo e vindo, onde e quando bem queria;...
alegre e louca, influenciada pela lua,
leve e solta assim,... lavava a alma.
.
Mas poucos entendiam o que sentia,
ao vê-la bailando linda pelas ruas,
rindo-se do que lhes parecia nada,
cantando e dançando na calçada,
amando a sensação nova que vivia.
.
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Canto ao Ano Novo

26 Dec 2008, 3:51 pm

(Surreal - PopFizzle)
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CANTO AO NOVO ANO
(André L. Soares)
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Que os desejos, há muito insatisfeitos,
renasçam ao centro do peito,
mil vezes multiplicados.
Que a alegria, que já se contava perdida,
não se converta em partida,
mas em novo e dócil abraço.
.
Que o perdão, sentimento esquecido,
se faça o mais belo hino
ouvido em todos os lares.
Que a escuridão, da paixão que já se fora,
ganhe as cores do sol
em nossa linda quimera.
.
Que a coragem, pivô da transformação,
estimule os homens bons
a fazerem o que é preciso.
Que a humanidade, farta de sabedoria,
encontre os valores nobres.
e faça um mundo melhor.
.
Que todos nós, corrigindo os próprios erros,
conheçamos a nós mesmos
e possamos nos amar mais.
Que a esperança, companheira dos aflitos,
se espalhe pelo planeta
pela força dos sorrisos.
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Natal

26 Dec 2008, 2:57 pm

(Holding Hands - Athenatt)
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NATAL
(André L. Soares)
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Vamos despir os corações
de todo ódio ou rancor,
dançar e cantar o amor,...
ao menos hoje.
.
Vamos abraçar o irmão,
dividir o pão com quem tem menos,
minimizar a solidão do homem,
calar a violência e a fome,...
ao menos hoje.
.
Vamos todos dar as mãos
ao que sofre, levar esperança,
retribuir de modo verdadeiro
cada sorriso de criança,...
ao menos hoje.
.
Sei que é somente por um dia,
mas se a alma é mesmo aberta
a tudo que é bom e é belo,
quem sabe com um pouco sorte
a gente faz o bem...
e até vicia.
.
Afinal... hoje nasceu Jesus,...
Ele que nos ama mais,
quer sempre o melhor pra nós,
nasceu homem, vive luz,
sofreu ao nos ver tão sós,
por isso semeou a paz!
.
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Raiz de Cem - Feed

Súplica do Excluído

16 Dec 2008, 1:53 pm

(Segunda Classe - Tarsila do Amaral)
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SÚPLICA DO EXCLUÍDO
(André L. Soares)
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Um certo dia, quis crer que o mundo fosse um todo,
pensei que a lei, somada à fé, faria isso logo;
mas quanto mais o tempo passa, mais me afobo,
posto que a paz pretensa nada é... além de engodo.
.
Nas tantas lutas tentei ser correto e probo,
mesmo nem sempre sendo justo o pão que logro;...
visto que há dias em que é mais podre o fel que provo,
quando a derrota, enfim,... parece vir em dobro.
.
De vida simples, do interior,... fruto do povo,
respeito as regras, mas somente a Deus me curvo,...
sigo sonhando com um tempo de amor,... novo,
.
em que o humilde seja mais que mero estorvo...
- tão limitado em seus direitos -, sob sol bruto,
...vivendo a pão-e-água, dominado a ferro-e-fogo.
.
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Verbos, Por Ti

9 Dec 2008, 2:26 am

(Martine - Sarah Bishop)
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VERBOS, POR TI
(André L. Soares)
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Revelar-me somente ante teu beijo,
dócil ato que espero, em desespero;
pois meu corpo te aguarda, novamente,
na distância de alguma madrugada,
para tomar-te em meus braços,
linda amante,...
sem limites, sem tempo, sem ressalvas.
.
Dominar-te suave, cravando dentes
nessa pele em que já eriçam pêlos;
e se as mãos limitam teus movimentos
liberdade te chega por entre orgasmos,...
para fazer de ti a minha mulher,
loucamente...
a andar sobre meus rastros.
.
Saciar-te os desejos mais ousados,
batizar novas loucuras com teu nome,
de tua carne jamais sentir-me farto,
a teus olhos ser rei, teu deus e homem,...
tendo sempre em teu amor
meu horizonte,...
fonte eterna de augusta felicidade.
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Alma de Poesia
/Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos


Raiz de Cem - Feed

Onde Não Há Natal

8 Dec 2008, 5:27 pm

(Hungry - S. Caruso)
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ONDE NÃO HÁ NATAL
(André L. Soares)
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Há, no ar... a nota triste
da viola caipira que lamenta,
chorando, tal chuva de primavera,
como se ser feliz fosse loucura.
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Há, no céu... o traço fosco,
riscando o azul com cor cinzenta,
resquício da antiga maravilha
da estrela que há muito se apagara.
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Há, no chão... só a esperança
da rosa novamente orvalhada,
fazendo rir a criança que agoniza
no retorno da pureza que se fora.
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Esperança

5 Dec 2008, 4:27 pm

(Até Que o Corpo Agüente - Eugênio de Proença Sigaud)
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ESPERANÇA
(Patrícia Neme)
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Por isso eu grito as dores da incerteza
que embala um coração desempregado;
e não tem pão ou vinho sobre a mesa...
e nada mais espera do seu fado.
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Eu grito pelos filhos da pobreza,
despidos de futuro – e de passado!
Sementes do abandono... com dureza
a vida os tange, qual se foram gado.
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Eu grito por saúde, teto, escola
– direitos vão além de bolsa-esmola –,
por mais cidadania, eu solto a voz.
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Por mais justiça e fim da impunidade,
por raças convivendo em igualdade,
por um país melhor... por todos nós!
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Para ler mais poemas dessa artista, visite:

Patrícia Neme.
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Dionísio

19 Nov 2008, 11:50 am

(Salvador Dali Autosodomized - Neofotistou)
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DIONÍSIO
(André L. Soares)
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Não temo a loucura arriscada
que parece acompanhar tudo que é novo.
O que mais me assusta é a inércia da certeza,
que insiste em macular de tédio, o amanhã,...
pelo extraordinário que inexiste
nas coisas seguras.
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Quão insípidas são essas horas
todas já tão planejadas;
esses passos firmes, por estradas retas,
acinzentando o mundo com prévios resultados.
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Sei que posso estar errado,...
mas prefiro o inusitado
perigo das curvas.
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Raiz de Cem - Feed

A Fome

17 Nov 2008, 2:17 pm

(Bullet - Trozo)
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A FOME
(André L. Soares)
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A Fome é uma fera
que devora os sonhos,
ferindo o orgulho do homem.
Implacável, não espera
que se alcance eficácia
com medidas burocráticas.
A Fome se mostra
sorrateira e sinistra
na azia da dor gástrica.
Invisível, rói por dentro...
e se o estômago é um vão,
ela se faz solitária.
A Fome é um cão voraz,
devorando o país,...
corrompendo os cidadãos.
É uma praga que se alastra
pelos becos das favelas,
gerando ódio e inveja.
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A Fome é traiçoeira,
joga homens na cadeia;
a Fome é cafetina,
põe uma puta em cada esquina;
a Fome é assassina,
põe uma arma em cada (ir)mão.
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A Fome é essa inimiga
gerada dentro da barriga,
como um feto que odeia a mãe.
Irmã-gêmea da Morte,
aborta tudo que é sublime...
da Fome nasce o crime.
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Sem Chão

8 Nov 2008, 11:23 am

(Palafitas - Danilo Alves)
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SEM CHÃO
(André L. Soares)
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Aquela coisa velha é
tábua,
parede feia da
casa
suja e repleta de
água,...
palafita fincada
no chão.
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Ali vive gente sem
nada,
bebendo e comendo onde
caga,
sonhando com uma cova
rasa...
– Inferno é essa vida
de cão!
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Canto Solo

5 Nov 2008, 3:54 pm

(Vendedor de chapéus - Eugênio de Proença Sigaud)
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CANTO SOLO
(André L. Soares)
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Ando cansado
de ser o único:
…eu, meu mais fraco,
meu mais novo;…
…eu, meu mais forte,
meu mais velho
[vendo o mundo pelo espelho];…
a buscar, somente em mim
cada conselho;
sem a quem correr
para um consolo;
perdido e desafinado
nesses vôos e cantos solos.
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Estou cansado
e, de novo,
quero um colo
pra sonhar.
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Solidários

7 Oct 2008, 5:09 am

(Sarah in Her Dad's Hand - John Forst)

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SOLIDÁRIOS
(André L. Soares)
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Ilhas de náufragos que se ajudam
trocando apoio, mesmo que mínimo,
ainda que o esforço pareça infindo
nunca lhes falta a esperança;...
ilhas de náufragos, que ao mar se
lançam... ávidos por salvar mais vidas.
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Podem essas rochas ser resistentes,...
ordem de homens que não se rendem,
enfrentando a fúria das tempestades,
todas as dores que nem são suas,
até que se alcancem os continentes.
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Ideologia Nua

6 Oct 2008, 8:30 am

(Justice - Pierre Subleyras)
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IDEOLOGIA NUA
(André L. Soares)
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Inda ontem era tua voz que se ouvia,
destilando frases fortes, sobre a terra...
e os humildes em tuas vestes se agarravam,
ostentando com bravura tuas bandeiras,
lutando de mãos limpas, contras as armas,
organizados para vencer a tirania,...
gritando cânticos nascidos da alma,
irmanados no humanismo das idéias,...
até o instante em que os abandonaste:
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nesse ato de despir-te frente ao mundo,
unindo ao opressor, tua pele então vazia,
ao trair o povo, que hoje segue à revelia.
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Inteira

6 Oct 2008, 7:28 am

(Bunny Boiler - Sas Christian)

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INTEIRA
(André L. Soares)
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Perdoa,...
por ser falso
ante toda tua verdade;
quase alheio
à tua doce presença;
por ser o teu exclusivo,
tu que nunca és minha primeira.
Perdoa,...
por sempre voltar aos cacos,
a ti,...
que somente vens inteira.
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Samba do Amor Perfeito

18 Sep 2008, 4:26 pm

(Lolipop - Tavish)
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SAMBA DO AMOR PERFEITO

(André L. Soares)

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Confessa logo que você me deseja, [ Ele ]

que se falo em seu ouvido você fica louca;

que seu corpo até lateja se ouve minha voz,

que quando pensa em nós, fica toda faceira;

quer rasgar a roupa e se entregar inteira,

quase me implorando um beijo na boca.

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Confesso logo que eu jamais lhe esqueço, [ Ela ]

que se fala em meu ouvido, acaba toda pressa;

que quando penso em nós, nada mais interessa,

que quando você passa, perco minha cabeça;

nem mesmo sei meu nome, telefone, endereço

e suplicar seu beijo é todo que me resta.

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Sendo o que se quer, acertaremos o passo [ Juntos ]

no compasso do destino que nos faz unidos;

decididas almas-gêmeas que se apaixonaram,

macho e fêmea que se amam, assaz atrevidos;

somos dois banidos desse Paraíso imperfeito,

revelando a todos que o amor é possível.

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Por Darfur

16 Sep 2008, 9:16 pm

(Apres-Midi en Afrique - Jaques Beaumont)
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POR DARFUR
(André L. Soares)
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Diz que tua maldade
é só loucura,...
fruto de uma dor insuportável
que nem mesmo o
tempo curou.
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Deixa que eu sinta
alguma culpa.
Divida comigo esses crimes,...
tu que irás beber
todo esse sangue,
derramado em nome
da ambição.
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Mente!
Tenta iludir o orto das lágrimas!
Pois não quero crer
que seja, o homem,
o mais carniceiro
dos Leviatãs.
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Raiz de Cem - Feed

Soneto da Culpa em Pedro

11 Sep 2008, 6:41 pm

(Ecce Homo - Antonio Ciseri)
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SONETO DA CULPA EM PEDRO
(André L. Soares)
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Tentei dizer,... mostrar o quanto é bom
seguir Teus passos no sagrado chão,
gozar a vida sem sentir-me vão,...
pois vi no amor o mais divino dom.
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Movi meus lábios, surpreendi-me com,...
ao pensar ‘– Sim’, da língua ter o ‘– Não’!
Neguei três vezes, tal previsto e então...
aconteceu de o galo dar o tom.
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Naquele instante, em que falhara a fé,
quando fingi desconhecer quem És
e repeti que nem fora um dos Teus,...
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vencera o medo, ao induzir minha voz
a rir de Ti, por vir morrer por nós,...
e feito assim, tornei-me algoz de Deus!
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IndigNAÇÃO

20 Aug 2008, 12:23 am

(Operários - Tarsila do Amaral)

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IndigNAÇÃO
(Luciano Dionísio)
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Ouviram, dos teus filhos o gemido,
às sombras dos porões, ó, mãe inglória;
os ferros de suplício; a rogatória;
a infâmia; a gargalhada; o alarido.
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Deitado eternamente na memória
de um povo torturado e perseguido,
fulgura o episódio descabido
que mancha de vergonha a tua história.
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E hoje, sob o sol da liberdade,
induze-nos, calcados, sem vontade,
ao pejo de servir outro tirano.
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Por que, se já colhemos nossos pomos,
madrasta não gentil, ainda somos
fantoches do capricho americano?
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Para ler mais desse autor, visite:
Só às Aves e aos Poetas é Dado o Poder de Voar!.
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Unicórnio

19 Aug 2008, 2:34 am

(Maiden - T. C. Chiu)
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UNICÓRNIO
(Enise)
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Aprisionado num móvel de vidro
um unicórnio de cristal, perdido,
com seu torcido chifre lascado,
perdeu seu poder selvagem,
entre o bem e o mal...
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Esquecido pelas florestas,
abandonado das matas,
distraído pelos prados sem fim,
não pisava mais nos sonhos,
não cavalgava mais em luz,
e, sem sua magia,
não queria mais viver assim...
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Não perfurava mais fontes,
sem limite para seus horizontes,
sem esperança para suas virgens.
Empoeirado, desencantado,
sem sossego em sua alma,
sem lembranças das suas origens...
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Tolhido do seu poder de cura,
cercado por falsas criaturas,
mal cuidado, sem ideal...
Foi colocado num lugar de destaque,
presenteado como se fosse de araque,
num último dia de carnaval...
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Raiz de Cem - Feed

Ao Soldado Sobrevivente

9 Aug 2008, 1:38 am

(Battle of Magenta - Giovanni Fattori)
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AO SOLDADO SOBREVIVENTE

(André L. Soares)
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Tendo a justiça, quase sempre, errado,...
formou-se o flagra, por detrás da burca:
véu sujo e escuro, que à dor se ajusta,
tal um Narciso nascido entre escarros.
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Também há a força: velha lei dos bravos

– a mola-mestra que os impele à luta –,
mãe da verdade fria que a adaga oculta
na ideologia torpe de algum tratado;
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e quando os porcos, dominando o estado

– abrigo amável aos mais vis canalhas –,
ornam, com flores, seus ardis macabros,...
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o que se tem é só a moral do diabo:

no morto-vivo que, após mil batalhas,
volta pra casa para ser escravo.
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Soneto ao Libelo

9 Aug 2008, 1:36 am

(Forum - Leonid Afremov)
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SONETO AO LIBELO
(André L. Soares)
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Lembra-te sempre que a verdade é fogo e sismo:
pois tanto queima quanto rasga nossa pele,
pelas palavras proferidas por aqueles
que expõem defeitos que supomos escondidos.
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Então, cuidado ao confrontares o inimigo:
guarda contigo os vis segredos. Não reveles!
Fragilidades... todos temos. Somos reles...
(se a língua é frouxa, mais padecem os ouvidos!).
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Para teu bem, melhor convém agir direito,
porquanto que pra toda causa tem efeito;...
bom que nem sejas tão severo nos teus crivos:
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– tenta evitar o lado triste das surpresas,...
não sendo louco de, nos outros, jogar pedras,
quando, em tua casa, seu telhado for de vidro.
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Soneto à Utopia

9 Aug 2008, 1:35 am

(Afternoon Repose - Egidio Antonaccio)
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SONETO À UTOPIA
(André L. Soares)
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Quero dizer tudo que penso sem ter medo,
atravessar tão livremente esse horizonte,
como se fosse a simples água de uma fonte,
tocando a vida como quem faz um brinquedo.
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Inaugurar um novo estilo, hoje me atrevo,
acreditando que o melhor não está distante,
mas muito perto, suplicando que se encontre
a chave-mestra que revele os mil segredos.
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Parte consiste em garantir nossos direitos,
fazendo então prevalecer na sociedade
o amor ao justo, como a base dos preceitos,
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para que assim não se repitam velhos erros,
pois quero crer que essa tal felicidade
não seja um sonho escapulindo entre meus dedos.
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Soneto à Insustentabilidade

9 Aug 2008, 1:34 am

(Autumn Glade - Robert Wood)
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SONETO À INSUSTENTABILIDADE
(André L. Soares)
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Fadada ao fogo e à fuligem, a flora,
pela mão do homem (essa besta-fera),
também padece, tal a fauna inteira,...
...e o que será feito de nós, agora?
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Secos os rios, em toda Terra afora,
como viver por outras tantas eras?...
Se restarão apenas lembrança e poeira
nos olhos turvos de quem já nem chora.
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Quando a floresta for só mera história
e a natureza rebelar-se em fúria,...
ar e água limpos serão vãs quimeras;
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puro veneno habitará as artérias,
sem ter milagre que resulte em cura
à esfera inerte, estéril,... sem aurora.
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A Tentação do Plágio

16 Jul 2008, 2:09 pm

Para expiação do pecado capital do mundo do conhecimento que é o plágio, um primeiro passo pode ser a simples confissão. Nos livramos da culpa do plágio citando a fonte de uma informação ou argumento.

Quando um autor perde a capacidade de resistir ao mal o plágio se consuma. O ato de plagiar é então considerado um crime hediondo. Em seu julgamento o réu será acusado de premeditação, falta de escrúpulos, desonestidade, falta de ética profissional. Aos poucos os argumentos condenatórios resvalarão para o campo da moral. No comportamento anterior do réu serão buscados indícios de vileza, vulgaridade e lascívia. Com tão pungente peça acusatória o veredicto final só poderá ser a condenação ao ostracismo intelectual.

É claro que a defesa poderá sempre alegar que o crime foi passional, argumentando que o acusado não resistiu a um impulso irracional de apropriação indevida da criação alheia e agiu por amor, não por inveja ou cobiça.

Se um texto é uma espécie de filho que colocamos no mundo, a moral nos ensina que o melhor é que não seja fruto de um incesto. O plágio é um incesto que realizamos com um irmão ou irmã de ofício, que nos seduziu através do seu texto. A atração por plagiar é como um desejo incestuoso do qual nos afastamos se resignando à imperfeição do nosso próprio texto.

Quer seja o plágio considerado como um vulgar crime motivado pela falta de ética, ou como um ato passional, e até mesmo um incesto, no mundo das letras não conseguimos evitar um sentimento misto de repulsa e compaixão pelo criminoso plagiário, considerado mais uma pobre vítima de uma tentação demoníaca.

Ao autor considerado pelos pares como sério, consistente e inovador pode ser relevada uma falta até grave em sua vida privada. Dificilmente, porém, lhe será concedido o perdão por um plágio comprovado e às vezes apenas presumido.

Podemos, então, concluir que uma interdição tão severa como a que paira sobre o ato de plagiar só pode mesmo ser explicada pela existência de um desejo de transgressão que tenha a mesma intensidade.

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Texto gentilmente cedido por

Walter Lúcio de Alencar Praxedes

[ walterpraxedes@uol.com.br ]

Doutor em Educação pela USP e professor de Sociologia na Universidade Estadual de Maringá e Faculdades Nobel. Co-autor dos livros O Mercosul e a sociedade global (12ª ed., 2002) e Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia – 1997 [http://www.espacoacademico.com.br/024/24wlap.htm].

O Brasil é Um Grande Plágio

13 Jul 2008, 1:39 am

[Imagem: Free4Uwallpapers]

Ter idéias próprias não é bem uma característica que marque a História do Brasil. Exceto alguns casos avulsos, a ‘cópia’ se constitui um costume nacional, desde os primeiros dias desse país que, inclusive, já teve o nome oficial de ‘Estados Unidos do Brasil’, dando mostras do olhar invejoso lançado sobre o irmão-mais-rico: o Tio Sam.

Nas artes, o Brasil só veio a ‘rascunhar’ sua primeira identidade em 1922, com a ‘Semana da Arte Moderna’. Mesmo assim não faltaram duras críticas. Os conservadores da época, considerando ultrajante qualquer mínima tentativa de romper os vínculos com as tradições européias, insistiam em não enxergar qualidade nas tendências artísticas especificamente brasileiras.

O cinema nacional também viveu algumas décadas em que fez do plágio sua maior fonte de inspiração. A maioria das ‘chanchadas’ nada mais era que paródia mal feita de famosos filmes estrangeiros. Paralelo a isso, a cultura desvalorizava suas poucas obras originais. Quase ninguém sabe que ‘O Cangaceiro’, filme produzido por Lima Barreto em 1953, é, ainda hoje, o maior sucesso de bilheteria que um filme brasileiro já alcançou, superando a casa dos US$ 50 milhões. Só na França, ficou 5 anos em cartaz. Infelizmente, essa renda ficou com a Columbia, companhia cinematográfica dos EUA, que comprou barato os direitos sobre a película.

Com a televisão não tem sido diferente. Alguns dos programas mais populares são apenas cópias. Quem assina TV a cabo já deve ter percebido que o ‘Programa do Jô’ copia o programa do Jay Leno em quase tudo: estrutura, cenário, figurino, além de todo o diferencial como é o caso da caneca e do quinteto. Até as piadas do Leno o Jô ‘reconta’, dias depois, em versão traduzida. A coisa é tão ‘macaqueada’, que nem a postura corporal escapa.

Nos telejornais também se percebe a cópia dos formatos utilizados; principalmente os cenários adotados pela CNN.

Na música, as versões de canções estrangeiras – que chegaram a ser incentivadas por lei, durante a ditadura militar – tornaram-se algo que supera a questão do ridículo. Além do fato de que o Brasil não paga os devidos ‘royalties’ aos artistas estrangeiros, há essa tendência perene de transformar belíssimas canções em meros e tediosos lamentos pseudo-românticos. É ultrajante, por exemplo, ouvir as versões – talvez melhor fosse dizer ‘aversões’ – que Chitãozinho e Xororó cantam de ‘Wonderful Tonight’ (Eric Clapton) e que o Leonardo canta de ‘Corazón Espinado’ (Carlos Santana).

Então, ‘paródia’, ‘paráfrase’, ‘versão’ é o caralho!

O nome para tudo isso é plágio. Ainda pior se o plagiador lucra e os direitos autorais não são pagos ao autor original. Porque aí é roubo mesmo.

Há casos de plágio até entre nomes consagrados da literatura brasileira. Ariano Suassuna roubou – não cabe outra palavra – a trama central que Shakespeare metaforizou tão bem em ‘O Mercador de Veneza’. No original inglês a trama tem por centro o acordo firmado entre o agiota judeu Shylock e o cristão Antônio, no qual o primeiro poderia tirar uma libra da carne do segundo, caso o empréstimo não seja quitado. Shakespeare invoca o princípio jurídico ‘pacta sun servanda’ (‘o contrato é lei entre as partes’) para mostrar, de um lado, a fragilidade dos contratos frente à inconstância dos cenários; e, de outro, a necessidade de se respeitar tais acordos, sob o risco de – desrespeitando-os – gerar caos social. Suassuna copia a idéia na íntegra (problema, desenvolvimento e solução), mas transformando-a em idéia secundária de seu livro, minimizando a temática e, assim, impedindo que o leitor perceba a profundidade da questão sob o prisma da Filosofia do Direito.

Da mesma forma, no ensino brasileiro, principalmente o superior, a cópia tornou-se comportamento tão amplamente aceito que na maioria dessas escolas há pequenas empresas cuja única finalidade é ‘xerocar’ livros ou apostilas. Com isso, o autor, que não ganha nada com as cópias ilícitas, vê cair o volume de vendas de seu livro e se sente desestimulado a dar continuidade à  produção intelectual. O lucro, por sua vez, fica para aquele que – sem ter contribuído para a efetivação da obra – reproduz e vende  ilegalmente a publicação (no todo ou em parte), incontáveis vezes. É a institucionalização do plágio, praticada justamente nas instituições em que muito se discute o plágio, quando praticado pelo aluno.

Agora, imagine dois alunos conversando: “– E aí, já fez o trabalho sobre Direito Autoral? É para ser entregue na segunda-feira!”. Ao que o outro responde: “– Ainda não. Mas vou, agora mesmo, pegar as cópias dos capítulos II e III do livro do Sidney Bittencourt”.

E não cabe mais alegar que sem o uso das cópias ilícitas a educação brasileira se tornaria inviável, face à pobreza do alunado. Isso é uma explicação contraditória e inaceitável que, se já possuiu algum mínimo sentido antes dos anos 80, hoje não mais.

Com toda essa ‘cultura do plágio’, não é de se espantar que a ‘blogosfera brasileira’ apresente grandes disfunções nesse sentido. A Internet – ambiente ilusoriamente democrático – leva a crer que todos podem ser escritores; que todos podem ser engraçados; que todos têm algo que o mundo queira ler ou ver; e, pior, que todos podem ganhar dinheiro com isso.

A realidade, porém, é mais dura. A maioria sequer conhece o próprio idioma, escreve mal, não tem sensibilidade. Enfim, não possui a bagagem mínima para uma produção cultural razoável. Pior que isso: a maioria tem preguiça de aprender. Não quer desenvolver o esforço necessário para construir – na mente – um acervo de conhecimento que lhe permita ser criativo.

Será que é tão difícil assim ser original? Na verdade é! Mas e daí? Se alguns podem ser originais, é sinal de que muitos outros também podem. Para isso, no entanto, é preciso tentar exaustivamente. Errar inúmeras vezes até atingir o êxito do primeiro acerto. Thomas Edson, imortalizado por inventar a lâmpada incandescente, já havia patenteado mais de 500 outras criações de menor importância, antes de chegar àquela que lhe daria fama.

Como se não bastasse, o plágio não é somente violação de diretos autorais: uma vez que afronta o direito – constitucionalmente garantido – de personalidade do autor, configura mais que um ilícito civil, mas, ainda, um ilícito criminal gravíssimo, previsto no artigo 184 do Código Penal, cuja penalidade pode levar à detenção e multa.

E aqui nem cabe agora discutir a funcionalidade da lei, quando aplicada ao meio virtual. Tampouco vale entrar no mérito das dificuldades práticas de se identificar o plagiador e alcançá-lo, de fato, para que responda por seus erros. Isso porque, o combate ao plágio, seja na Internet ou em qualquer outro meio, vai muito além de um compromisso legal. Em plano mais amplo, a luta contra o plágio é, de certa forma, uma tentativa de se evitar a morte prematura da inteligência genuinamente brasileira.

Está na hora de o Brasil passar a ser ‘o país da originalidade’. O plagiador, embora seja quase sempre dotado de incomparável estupidez e desprovido de qualquer senso ético, deve ser conscientizado de que cópia alguma irá lhe conferir valor como pessoa que produz. Aos que insistirem no erro, restará então a opção da denuncia, da exposição dos fatos, das conseqüências legais, bem como do escárnio e da morte social que essas coisas costumam provocar.

É preciso que se entenda, afinal, que o espelho, mesmo quando diante do próspero, reflete tão-somente a imagem inversa.

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José Fernandes

contraoplagiobrasil@gmail.com

A Idéia é Somar

1 Jul 2008, 2:45 am

Vamos tentar, na medida do possível, não deixar que questões de interesse pessoal – ou de alguma minoria – prevaleçam sobre o objetivo maior que é ‘combater o plágio’.

Sobre isso, quero deixar claro algumas coisas:

a) esse blog vai adicionar a todos que solicitarem adesão, além aqueles que eu julgar importante adicionar;

b) ninguém tem a obrigação de corresponder aos links aqui adicionados; não se trata aqui de promover esse blog, mas sim promover a discussão; pois não se está buscando parcerias, nem elevar PR ou ganhar dinheiro com anúncios;

c) a função única e exclusiva desse blog é promover a discussão sobre o plágio na Internet, bem como debater sobre possíveis medidas que levem à diminuição desse problema;

d) quaisquer outras campanhas paralelas podem se juntar a esse blog, o qual também estará sempre à disposição para fazer coro a outros que estejam voltados a esse mesmo fim;

e) todo texto de minha autoria que aqui for postado pode ser também postado em quaisquer outros blogs, sem risco de ser considerado ‘plágio’; quanto aos textos de outros autores, sugiro que seja solicitada permissão aos mesmos;

f) a base de toda discussão aqui desenvolvida será – sempre – a Lei Federal 9.610/98 (Lei dos Direitos Autorais);

g) toda e qualquer sugestão será sempre bem-vinda e a participação de todos é irrestrita, desde que sejam respeitados os direitos à pessoa humana.

A partir de amanhã – sempre que possível – postarei textos sobre direitos autorais. Alguns serão meus e outros não. A esse segundo grupo haverá sempre a referência ao autor original, o qual será devidamente informado do uso de seu material.

Quem desejar colaborar com este blog, basta deixar o texto nos ‘comentários’, que postarei o mesmo assim que surgir a oportunidade, estando o mesmo aberto ao debate.

José Fernandes

contraoplagiobrasil@gmail.com

Agora esse blog pega no tranco!

30 Jun 2008, 6:04 pm

Vamos ver se agora, após a confusão armada pelo Carlos Lima, conseguiremos discutir – de forma séria – a questão do plágio na blogosfera.

O que se pretende aqui é um debate sem ‘estrelismos’ e sem forçar nenhum tipo de adesão a esse blog.

E vamos ver no que resulta.

José Fernandes

contraoplagiobrasil@gmail.com

Olá, blogosfera brasileira!

5 Mar 2008, 8:05 am

Sejam bem-vindos!

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Aqui, nesse blog, será feita uma tentativa de se retomar a campanha ‘Contra o Plágio na Blogosfera’, iniciada pelo Carlos Lima.

Tentaremos repetir os muitos acertos da campanha inicial, bem como evitar seus erros. Contamos com a máxima colaboração de todos.

O primeiro passo, agora, é a criação de um logotipo/banner para a campanha, o que já está sendo providenciado.

Esse blog terá um moderador principal, que zelará por sua organização. Porém, contará com diversos colaboradores, de modo a garantir seu aspecto coletivo e democrático.

Mais uma vez, sejam todos bem-vindos!

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José Fernandes

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