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<title></title>
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<description><![CDATA[]]></description>
<language>EN_GB</language>
<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 09:27:42 +0000</pubDate>
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<title>FAMINTO</title>
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<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[<h3 class="post-title entry-title"><a href="http://apiratanoconvesdasideias.blogspot.com/2008/11/faminto.html">FAMINTO</a></h3>
<div class="post-body entry-content">Faz favor,<br />Avisa a todos:<br />Estou aqui<br />Perdido e com fome<br />Quero provar tudo o que tenho direito<br />S&oacute; vou comer e ir embora<br /><br />Faz favor,<br />Avisa aqueles cuja coragem falta e tamb&eacute;m a vergonha:<br />Querem provar tudo o que &eacute; meu!<br />Por dinheiro, comer&atilde;o e ir&atilde;o embora.<br />Na desculpa c&iacute;nica da ignor&acirc;ncia<br />Uns se escondem atr&aacute;s de outros<br />E se &eacute; um, mais um apenas<br />Um,<br />Em meio &agrave; multid&atilde;o de desavisados<br />H&aacute; que se ter coragem e bastante cara dura<br />Me comer&atilde;o e ir&atilde;o embora...<br /></div>]]></description>
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<title>Vanila Song (Um beijo)</title>
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<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[VANILLA SONG (Um beijo)<br /><br />Um beijo<br />O ponto de partida<br />O ponto de chegada<br />Com cheiro de vanilla<br />L&aacute;bios l&iacute;ngua saliva<br />O primeiro beijo de morte<br />O &uacute;ltimo sopro de vida<br /><br />Um gole de saqu&ecirc;<br />De Salto Alto<br />Do Almodovar<br />No seu quarto<br />Na sala de TV<br />Em outro planeta<br />Que vontade de ficar aqui<br />Pra sempre<br />Na sala de TV<br />Com cheiro de vanilla<br />Fazer um filho em voc&ecirc;<br /><br />O mundo p&aacute;ra<br />Por alguns segundos<br />Que cont&ecirc;m a eternidade<br />N&atilde;o existe dor nem saudade<br />Nem barreiras temporais<br />Apenas o sil&ecirc;ncio do vazio<br />&Ecirc;xtase ensurdecedor<br />Que salva, que mata, que cria<br />Eu mais voc&ecirc;<br />Saliva sua l&iacute;ngua e a minha<br />O ponto de partida<br />O ponto de chegada<br />Com cheiro e gosto de baunilha<br />Eu mais voc&ecirc;, <em>ankh</em>, nossa filha<br />Na sala de TV...<br />O &uacute;ltimo beijo de morte<br />O primeiro sopro de vida]]></description>
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<title>Se o Passado Vier a Voc&Atilde;&ordf;</title>
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<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[Pedi que viesse ao meu encontro. Desde quando sua verdadeira face desvendei. Vi assinados seus muitos nomes: Inveja, Cobra, Dissimulada, Corrupta.<br />Nunca mais me enganei. Iguais a voc&ecirc; reconhe&ccedil;o de longe, hoje.<br />Confesso: demorou para que desocupasse grande parte dos meus pensamentos, foi um processo longo e &aacute;rduo.<br />Mas com o tempo, e sem o menor esfor&ccedil;o, voc&ecirc; foi se recolhendo, fazendo juz &agrave; propor&ccedil;&atilde;o<br />da sua insignific&acirc;ncia<br />at&eacute; que, finalmente, passou a ocupar o espa&ccedil;o merecido - nenhum - na mente, qui&ccedil;&aacute; cora&ccedil;&atilde;o!<br />Engra&ccedil;ado como voc&ecirc; caiu no limbo do esquecimento. L&aacute; ficaria. N&atilde;o fosse hoje.<br />Por tanto tempo, pedi que viesse ao meu encontro. Sozinha. Covarde, n&atilde;o veio.<br />Usando sua muleta, veio hoje.<br />Por alguma raz&atilde;o, dessas que a pr&oacute;pria n&atilde;o explica, meus olhos a atravessaram e n&atilde;o a vi. Infelizmente! N&atilde;o pense que a ignoraria.<br />N&atilde;o perderia a oportunidade de presente&aacute;-la com as palavras que tenho guardadas.<br />Vindo de voc&ecirc;, n&atilde;o acredito em coragem.<br />Pra fugir das mentiras, inventou outras novas<br />e escondeu-se sob um cobertor estampado com a realidade que queria.<br />N&atilde;o acredito na sua coragem. Tanto que hoje n&atilde;o foi capaz de ir at&eacute; o fim.<br />N&Atilde;O ACREDITO NA SUA CORAGEM. MAS ENTENDO SEUS MOTIVOS.<br />QUER QUE EU A LIBERTE DAS CORRENTES QUE ARRASTA.<br />N&Atilde;O CABE A MIM.]]></description>
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<title>N&Atilde;&pound;o &Atilde;&copy; Meu</title>
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<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[Outro rosto. Um rosto que n&atilde;o &eacute; meu, talvez de um monstro. Um aglomerado de massa molenga. Sombras. Manchas escuras e salpicadas na altura da testa, boca e bu&ccedil;o. Leve penugem intercalada entre os poros do queixo. Olhos que n&atilde;o s&atilde;o meus &ndash; s&atilde;o os dele &ndash; quase os de um peixe rec&eacute;m fisgado, esbugalhados, inchados, et&iacute;licos. Olhos que desejavam estar sob a terra ou presos noutra dimens&atilde;o, mas incapazes de silenciarem debaixo do peso das l&aacute;grimas. S&atilde;o a express&atilde;o no sil&ecirc;ncio, o falsete n&atilde;o ensaiado, a prostra&ccedil;&atilde;o da boca, o arregalar do palato. O contraste do branco lutando com o preto dilatado da pupila.<br />Trafego entre dois p&oacute;los extremos. O estado ilus&oacute;rio alcan&ccedil;o e me escapa o equil&iacute;brio. Desejo inspira&ccedil;&atilde;o na rotina. O quanto a felicidade alheia &eacute; capaz de incomodar e o quanto esse inc&ocirc;modo revela o alcance da pr&oacute;pria mediocridade?]]></description>
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<title>Morfina</title>
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<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[<h2 class="date-header">Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008</h2>
<div class="post hentry"><a name="2355831808416528813"></a>
<h3 class="post-title entry-title"><a href="http://apiratanoconvesdasideias.blogspot.com/2008/11/morfina.html">MORFINA</a></h3>
<div class="post-body entry-content">Que adianta lutar contra algo que &eacute; inevit&aacute;vel?<br />Mais f&aacute;cil fugir e deixar como est&aacute;<br />Calar para n&atilde;o ter que escutar<br />Lam&uacute;rias<br />que n&atilde;o sejam as minhas pr&oacute;prias<br />Locar um filme<br />Uma realidade diferente<br />Distrair a mente<br />Me boicotar<br /><br /><span style="color: #ff0000;">Na veia...<br /></span><br />Intelig&ecirc;ncia &eacute; burrice<br />Amor, desamor<br />Sa&uacute;de &eacute; doen&ccedil;a<br />Sanidade, loucura<br /><span style="color: #ff0000;"></span><br /><span style="color: #ff0000;">Na veia...<br /></span><br />E como fica feio, muito feio<br />E c&ocirc;modo, pl&aacute;cido, desesperador e est&aacute;tico<br />Meu abismo, meu escuro, meu casulo, meu amor!<br /><br />Ou&ccedil;o sons e vozes, tique-taque, sinos<br />Nervoso tique-nervoso<br />Me como, me espremo<br />Unha, cabelo encravado, Amor<br />Cravado<br />No peito!<br /><span style="color: #ff0000;">Na veia!</span> [que transborda amor]<br /><span style="color: #ff0000;"></span><br /><span style="color: #ff0000;">Na veia!</span> [Morfina, por favor!]</div>
</div>]]></description>
</item>
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<title>A M&Atilde;&ordm;sica que Seria a Deles (Partes em html)</title>
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<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[<div class="post hentry"><a name="1786287178984705450"></a>
<h3 class="post-title entry-title"><a href="http://apiratanoconvesdasideias.blogspot.com/2009/02/musica-que-seria-deles-partes-em-html.html">A m&uacute;sica que seria a deles (Partes em html)</a></h3>
<div class="post-body entry-content">Debru&ccedil;ada nos cotovelos<br />sentada frente &agrave; mesa redonda<br />de &ocirc;nix <br />Estava louca, muito louca<br />Mas s&oacute; durou o come&ccedil;o<br /><br />Veio a concentra&ccedil;&atilde;o<br />que trouxe a tela<br />de c&oacute;digos, s&iacute;mbolos e cripto-linguagem<br />O cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fala em html... <br /><br />Ansiosa, tenta ouvir a m&uacute;sica<br />que imagina que seria a deles,<br />caso tivessem se conhecido,<br />enquanto escreve estas palavras -<br />outros c&oacute;digos, mais s&iacute;mbolos -; <br />o c&oacute;digo da l&iacute;ngua,<br />que tamb&eacute;m n&atilde;o fala em html<br /><br />... A l&iacute;ngua<br />quando desliza<br />desvenda a linguagem do corpo,<br />decifra se h&aacute; amor...<br />N&atilde;o tenho nada a confessar.<br />Voc&ecirc; n&atilde;o me conhece.<br />Ainda...<br /><br />Esqueceu-se do est&ocirc;mago oco,<br />atendeu ao telefone diversas vezes.<br />Nada importante<br />do outro lado da linha<br />Com um dos ouvidos,<br />automaticamente, respondia.<br />Com o outro<br />precisava escutar<br />seguidas e seguidas vezes,<br />a m&uacute;sica que seria a deles,<br />caso um dia fossem se encontrar.<br />Para manter-se escrevendo<br />a inspira&ccedil;&atilde;o brotada<br />das partes dele<br /><br />Acendeu outro cigarro<br />E perdeu-se na vis&atilde;o<br />das imagens de si pr&oacute;pria<br />num labirinto escuro, turvo, esfuma&ccedil;ado,<br />cheio de rostos desconhecidos<br />que n&atilde;o eram o dele<br />ou seriam?<br />Procurando...<br /><br />Procurando partes dele.<br />N&atilde;o se conheciam.<br />Procurando pelas partes<br />que podiam ser as dele.<br /></div>
</div>]]></description>
</item>
<item>
<title>A Dana&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o Come&Atilde;&sect;a Pela Boca!</title>
<link></link>
<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[<h3 class="post-title entry-title"><a href="http://apiratanoconvesdasideias.blogspot.com/2009/02/danacao-comeca-pela-boca.html">A dana&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a pela boca!</a></h3>
<div class="post-body entry-content"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_IBOnINUvnzU/SY5--58Uq8I/AAAAAAAAAHw/S82yHleVY0E/s1600-h/circoloco_leochaves_0329_resize1_edited.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_IBOnINUvnzU/SY5--58Uq8I/AAAAAAAAAHw/S82yHleVY0E/s400/circoloco_leochaves_0329_resize1_edited.jpg" border="0" /></a>Para mim, o t&iacute;tulo acima foi um dos meus melhores twitts, de 2008. T&aacute; certo, n&atilde;o &eacute; uma grande frase, e tal, tampouco brilhante, mas &eacute; muito verdadeira. O contexto &eacute; ultrasignificativo, no meu caso. De fato, &eacute; como se minha boca fosse um portal bidimensional fronteiri&ccedil;o, n&atilde;o entre dois espa&ccedil;os f&iacute;sicos, mas entre dois estados de ser, que brigam entre si: o equil&iacute;brio e o descontrole. A dana&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a no momento em que a boca se abre e recusa-se a, t&atilde;o cedo, fechar. Nas coisas que ingiro, fumo, bebo, e, tamb&eacute;m, nas que falo, vomito, grito. <br />O corpo humano &eacute; dotado de uma intelig&ecirc;ncia singular, possui linguagem pr&oacute;pria, bem peculiar, e acredito que nosso corpo esteja em constante estado 'defensivo', sempre 'atento', nos enviando sinais de alerta, que, normalmente, passam despercebidos &agrave; raz&atilde;o, mas que ligam-se, intimamente, &agrave; chamada intui&ccedil;&atilde;o. Quantas vezes desprezamos, ignoramos tais sinais? Quantas vezes duvidamos, minorizamos um sentimento cuja origem &eacute;, sen&atilde;o, o pr&oacute;prio &iacute;ntimo? <br />Aquela 4a. feira n&atilde;o podia ser uma 4a. feira normal. Antes mesmo da chuva torrencial desabar, meu corpo j&aacute; havia enviado os primeiros sinais. Era t&atilde;o &oacute;bvio, mas t&atilde;o &oacute;bvio, que acabei seduzida pela armadilha da banalidade, e bloqueei o entendimento da mensagem de alerta - dum corpo insistente, mas de interven&ccedil;&atilde;o limitada ou nula - (o corpo tem 'intelig&ecirc;ncia pr&oacute;pria', mas faz o que a mente 'manda'). Ademais, tudo o que &eacute; muito &oacute;bvio, torna-se banal, e o que &eacute; banal parece inofensivo.<br />Tudo come&ccedil;ou pela manh&atilde;. Raramente, como de manh&atilde;. Bebo quase 1/2 litro d'&aacute;gua, tomo um caf&eacute; preto, fumo meu cigarro, e s&oacute;. Mas, naquela 4a., acordei com um desejo brutal de tomar um picol&eacute; novo da Kibon, que &eacute; de c&ocirc;co com abacaxi. E n&atilde;o estava num daqueles per&iacute;odos espec&iacute;ficos femininos, nem nada, qui&ccedil;&aacute; gr&aacute;vida. Acontece que quando coloco uma vontade, meta, desejo, na minha cabe&ccedil;a, ou &eacute; do jeito que quero ou n&atilde;o &eacute;. N&atilde;o serve mais ou menos. No caso do picol&eacute;, tinha que ser exatamente o de c&ocirc;co com abacaxi. N&atilde;o serviria o de c&ocirc;co apenas, nem o de abacaxi puro, ou o de c&ocirc;co queimado e, muito menos, qualquer outro sabor que fosse. Me conhe&ccedil;o muito bem e, no momento em que me vi, entrando no 2o. supermercado, em busca do tal picol&eacute;, depois de j&aacute; haver deixado 3 padarias de m&atilde;os vazias, soube que as portas para a dimens&atilde;o do descontrole estavam escancaradas, s&oacute; faltava entrar de cabe&ccedil;a. Tudo come&ccedil;ou pela boca. Meu corpo enviou os sinais de alerta, mas os ignorei. Uma vez na dimens&atilde;o do descontrole, ignorei a possibilidade de entrada num territ&oacute;rio mais perigoso ainda: o do desejo obssessivo-compulsivo <strong>frustrado</strong>. O que acontece, quando n&atilde;o conseguimos satisfazer certos desejos? Ou, quando somos obrigados a lidar com perdas e/ou frustra&ccedil;&otilde;es? Ora transferimos a obssess&atilde;o para outro objeto de desejo ora reprimimos o desejo frustrado. E foi o que fiz. N&atilde;o havendo outro jeito, reprimi a vontade e, por poucas horas, tive a gra&ccedil;a de esquecer o desejo fixo matutino; por&eacute;m, obstinada que sou, uma vez que n&atilde;o pude satisfaz&ecirc;-lo, chegou a tarde, juntamente com a chuva, e meu jejum ainda permanecia. As horas passavam, a chuva transformava-se em tempestade, enquanto o desejo camuflava-se por tr&aacute;s de certa melancolia, (ou era t&eacute;dio?), n&atilde;o sei ao certo. Me entedio muito facilmente. Automaticamente, comecei a me vestir. Queria me sentir bonita. Por qu&ecirc;? Eu n&atilde;o sei. Arrumei-me. Me maquiei. Pra sair debaixo de chuva. Pra qu&ecirc;? Eu n&atilde;o sei. Pus-me a pensar no maldito picol&eacute;. Sairia novamente. Pra onde? N&atilde;o sei. Fiquei rodando sem rumo, de carro. N&atilde;o sabia para onde estava indo, mas sabia bem aonde queria chegar. Desde cedo, meu corpo enviara os sinais de alerta; naquele dia, eu estava propensa a cair na dimens&atilde;o do descontrole, se permitisse que a 'vontade' da boca, n&atilde;o satisfeita, me levasse a um estado compulsivo, sujeito a rompantes de impulsividade. Se n&atilde;o tivesse ignorado os sinais, talvez n&atilde;o teria cedido espa&ccedil;o aos impulsos nocivos.<br />Rodei de carro, sem saber pra onde ir, at&eacute; que, num impulso, parei onde menos acreditava que pudesse voltar, pelo menos, n&atilde;o t&atilde;o cedo. N&atilde;o, depois de 8 meses. Mas a Pirata j&aacute; estava l&aacute;, me esperando. No seu 'porto seguro', perto do mar. Quem sabe, porque me conhece melhor que ningu&eacute;m? Sabia que eu acabaria indo de encontro &agrave; ela. A Pirata sabia o que se seguiria e n&atilde;o pode, nem quis, disfar&ccedil;ar seu contentamento ao ver que eu acabara cedendo. Ela conhece meus pontos fracos. Nada de picol&eacute; de abacaxi com c&ocirc;co ou vice-versa, nem pensava mais nisso. "Uma dose de vodka, por favor!", sob a chuva, j&aacute; toda encharcada. Senti um sorriso querendo brotar da boca da Pirata. &Eacute; a vida. Sentimos prazer com coisas que n&atilde;o nos fazem bem, sentimos prazer nas coisas que n&atilde;o fazem bem aos outros, &agrave;s vezes. Verdade, todos temos um lado bem med&iacute;ocre. <br />"Vamos tomar outra dose!", ela falou...<br />Quanto ao resto, n&atilde;o preciso nem me estender.<br />A ironia &eacute; que, depois de uma manh&atilde; de buscas frustradas, e em raz&atilde;o de ignorar os sinais do meu fiel mensageiro (o corpo), eu, cujo simples e &uacute;nico desejo era encontrar um picol&eacute; de abacaxi mais incrementado (com c&ocirc;co), no fim do dia, acabei me deparando com o maior e pior dos 'abacaxis', que podia imaginar.<br />N&atilde;o quero mais esse tipo de 'abacaxi' pra minha vida. Eu e a Pirata j&aacute; navegamos por mares muito revoltos. <br />ABACAXI, AGORA, S&Oacute; PICOL&Eacute;, E SE FOR O DA KIBON, COM C&Ocirc;CO!</div>]]></description>
</item>
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<title>Pele</title>
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<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[<div class="post hentry">
<h3 class="post-title entry-title"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_IBOnINUvnzU/SUGwHKpMnCI/AAAAAAAAAEg/vjbiSGq7S_E/s1600-h/pele.bmp"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_IBOnINUvnzU/SUGwHKpMnCI/AAAAAAAAAEg/vjbiSGq7S_E/s200/pele.bmp" border="0" /></a>&nbsp;<br /><span style="font-size: x-small;">Eu queria abra&ccedil;ar ela<br />beijar ela<br />em meio a fuma&ccedil;a que se ergue densa,<br />entre um sorvo e outro meu<br />Confesso sentado no ch&atilde;o<br />sem vergonha com verdade.<br /></span><span style="font-size: x-small;"><br />Despido de tudo,<br />do ego,<br />Digo com a boca que amarga<br />as palavras<br />E o olho roxo<br />que um dia<br />foram beijados por sua beleza<br /><br /></span><span style="font-size: x-small;">Despido,<br />o corpo lateja,<br />As palavras passeiam na pele<br />entre curvas que levam ao nome seu.<br />Queria abra&ccedil;ar ela<br />Queria beijar ela<br />Hoje n&atilde;o sou eu<br /></span><br /><span style="font-size: x-small;">Enlouque&ccedil;o<br />Viro de ponta-cabe&ccedil;a<br />Antes que me achem<br />Hoje n&atilde;o sou mais ningu&eacute;m<br />Sou mais eu.</span></h3>
</div>]]></description>
</item>
<item>
<title>O Banho</title>
<link></link>
<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[Ainda saboreava<br />O gosto acre rascante<br />Grudado &agrave; glote e &agrave;s gengivas<br /><br />Quando, ap&oacute;s perder o ch&atilde;o sob os p&eacute;s,<br />pisou os ladrilhos g&eacute;lidos<br />Do banheiro<br /><br />A imagem perpassou o espelho<br />Em cima da pia, o ma&ccedil;o de cigarros,<br />O celular - em meio aos vidros de perfume - <br />E a l&acirc;mina de barbear;<br />Tudo empesteado com o cheiro do pai.<br />Coisas que tornariam-se reminisc&ecirc;ncias.<br /><br />Dentro do box, avidamente, deslizou as portas de blindex,<br />Criando para si, uma clausura, <br />Um esconderijo, uma pequena fortaleza<br />De paredes v&iacute;treas e cristalinas.<br /><br />Demorou-se para girar a torneira.<br />E levantou a cabe&ccedil;a, lan&ccedil;ando o olhar<br />pro chuveiro<br />N&atilde;o queria saber de surpresas.<br /><br />Viu a gota primeira amea&ccedil;ar <br />Destacando-se do montante de got&iacute;culas<br />Que disputavam entre si. <br />Certeira, cravou-lhe o olho.<br /><br />Sob o chuveiro<br />Pensamentos indesej&aacute;veis invadiam<br />A mente incans&aacute;vel, autoflageladora.<br />Evocou os n&uacute;meros<br />E p&ocirc;s-se a contar<br />N&atilde;o, porque do&iacute;a-lhe a censura <br />(Onde estavam seus sentimentos?) <br />Mas, para espantar as imagens que se ofereciam - <br />O ato antes do banho - <br />Cuja alma exaurira<br /><br />Imagens inc&ocirc;modas,<br />Emaranhadas<br />Tortuosas, n&atilde;o.<br />Nada sentia (onde estavam seus sentimentos?)<br />Desejava uma mente limpa<br />Como a &aacute;gua<br />Que sa&iacute;a do chuveiro<br />E descia pro ralo<br />Levando embora a sujeira.<br /><br />Quanto tempo mais, permaneceria ali,<br />Indiferente <br />&Agrave; vulnerabilidade da nuca, entregue ao jorro d'&aacute;gua?<br />Os sentimentos anestesiados opunham-se ao frenesi sensorial<br />Todos os poros dilatados <br />Os p&ecirc;los se arrepiavam<br />No ro&ccedil;ar do sabonete.<br /><br />Nada fazia sentido<br />O tempo corria numa velocidade diferente<br />N&atilde;o se reconhecia<br />Prisioneira dum corpo de formas perfeitas<br />A &aacute;gua que o ralo sorvia<br />Era r&oacute;sea, quase vermelha.<br /><br />Veio a vertigem<br />E junto a mem&oacute;ria<br />Concedera a boca<br />Para um &uacute;ltimo capricho<br />Engolindo o que as deusas <br />Do Olimpo <br />apelidaram de n&eacute;ctar dos deuses<br /><br />Fora mais f&aacute;cil<br />Que pensara<br />Enquanto o bebia<br />Durante o gozo cegante<br />Levantou o travesseiro que escondia <br />A paciente adaga <br /><br />Dos dois objetos f&aacute;licos apoderara-se, ent&atilde;o: <br />O quente, ainda pulsante, na boca <br />E o fr&iacute;gido, que encorajava direto na tr&aacute;queia, <br />&Aacute;gil, seco e degolante,<br />Golpe da m&atilde;o.<br /><br />P&ocirc;de gozar em vermelho-vivo viscoso<br />A espera dos anos<br />Consumara-se o momento da vingan&ccedil;a<br />Pelos abusos a fio.<br />Era a primeira vez<br />Que gozava.<br /><br />No banho<br />N&atilde;o se reconhecia<br />Os p&eacute;s cambaleantes sobre a &aacute;gua r&oacute;sea,<br />Escorrida do corpo dela,<br />N&atilde;o eram seus<br />Nem as imagens turvas<br />Que tentavam sobrepor-se aos n&uacute;meros <br />Evocados por ela<br />Nem o tempo pertencia <br />&Agrave; epoca nenhuma<br />Perdera a contagem<br /><br />Inspirava fundo<br />Pois o ar lhe escapava<br />E a vertigem<br />At&eacute; os t&iacute;mpanos invadia<br />Abafando-os completamente.<br />Um &uacute;nico pensamento <br />Brotou claro, coerente<br />E a fez sentir bem.<br />O mesmo que a perseguira na inf&acirc;ncia<br />Quando sufocava por entre as l&aacute;grimas<br />Espremidas<br />Pelo peso da barriga do pai:<br />"Sou uma menina muito m&aacute;, m&aacute;, m&aacute;..."<br /><br />(...)<br /><br />Nada de <em>mea culpa</em><br />Sentiu-se bem.<span><br /></span>]]></description>
</item>
<item>
<title>Adrenalina</title>
<link></link>
<pubDate>Thu, 01 Jan 1970 01:00:00 +0100</pubDate>
<description><![CDATA[<div><span style="font-size: small;">Gosto de lhe sentir por inteiro<br />quando j&aacute; me invadiu por completo<br />sem antes se anunciar<br />talvez seu poder consista exatamente nisso<br />num chegar despercebido e n&atilde;o premeditado.<br />O prazer de ser sua morada, quando voc&ecirc; est&aacute; no auge<br />&eacute; que me faz querer dan&ccedil;ar<br />e ent&atilde;o eu dan&ccedil;o, dan&ccedil;o que me desfa&ccedil;o<br />e meus peda&ccedil;os, todos j&aacute; desfacelados, em mil outros eus,<br />s&atilde;o eles, agora, que est&atilde;o no apogeu<br />em busca de outras moradas...<br />Relutar n&atilde;o adianta.</span></div>]]></description>
</item>
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